Raul Arboleda/AFP
Raul Arboleda/AFP

Ex-guerrilheiros das Farc montam comunidades em áreas rurais

Moradores dividirão posses e responsabilidades, o que, segundo eles, pode ajudar a diminuir as fortes desigualdades socioeconômicas do país

O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 18h33

ÁGUA BONITA, COLÔMBIA - Depois do acordo de paz com o governo colombiano, ex-integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - agora transformada em partido político - começaram a construir comunidades em áreas rurais antes tomadas pela violência. O compromisso entre as duas partes foi visto como uma alternativa para reintegrar os revolucionários à sociedade.

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Desde a assinatura do pacto, mais de 11 mil guerrilheiros se desarmaram, mas ainda enfrentam objeção de boa parte da sociedade colombiana, que não vê com bons olhos a participação do novo partido Força Alternativa Revolucionária do Comum na política. Para essas pessoas, os ex-integrantes das Farc deveriam estar presos por assassinato, sequestro e violência sexual.

No entanto, os ex-revolucionários afirmam que o modelo de comunidade, no qual os moradores dividirão posses e responsabilidades, pode ajudar a diminuir as desigualdades do país. “Esse é um projeto que vai criar condições para uma vida digna, na qual as pessoas não têm somente moradia garantida, mas também saúde, emprego e educação”, disse à Reuters o ex-rebelde Federico Montes.

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A ideia é que essas comunidades colaborem no combate à alta taxa de pobreza colombiana, contribuindo para uma Colômbia mais humana, que ofereça serviços básicos e trabalho para a população. Segundo o chefe da Agência Colombiana para a Reintegração (ACR), Joshua Mitrotti, o objetivo é ocupar áreas que não tenham tido presença do Estado ao longo de muitos anos.

Na pequena Água Bonita, na província de Caquetá, 250 ex-membros das Farc e suas famílias já vivem juntos, com acesso à livraria, centro de saúde e padaria. Com 65 pequenas casas, a cidade é marcada pelo cenário de selvas de Caquetá e lembrada pelas cenas de confrontos entre guerrilheiros e militares.

A comunidade é protegida pela polícia e o Exército atua perto do local para combater gangues criminosas que tentam se instalar no território e ocupar o vácuo deixado pelas Farc, além de controlar grupos que produzem coca.

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Enquanto ex-combatentes das Farc encontram no projeto uma chance de desenvolver utopias políticas de esquerda, ex-líderes do grupo, como Pastor Alape - que participou das negociações de paz com o governo - são mais cautelosos e negam que a iniciativa seja uma maneira de desenvolver enclaves comunistas na Colômbia.  /REUTERS

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