Edgard Garrido / Reuters
Edgard Garrido / Reuters

Ex-jogador mexicano leva time para o governo

Blanco assume Estado de Morelos e monta gabinete de amigos da época dos gramados

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2018 | 05h00

A história de Cuauhtémoc Blanco é cercada de esquisitices. Ele vestia a camisa do clube espanhol Valladolid, na tarde de 29 de setembro de 2001. Faltavam dois minutos para o fim do jogo no Santiago Bernabéu, em Madri, quando o juiz apitou falta contra o time da casa. Blanco ajeitou a bola, tomou distância e meteu no ângulo direito de Iker Casillas, decretando o empate de 2 a 2. 

O gol mais lembrado da carreira do craque mexicano fez seus companheiros de equipe perderem uma bolada. É que os jogadores do Valladolid tinham o hábito de apostar na derrota do próprio time e aquele empate lhes custou o prêmio US$ 5 milhões. 

Atualmente, Blanco está metido em outra extravagância: ele acaba de tomar posse como governador do Estado de Morelos. “Vou defender o Estado como defendi a seleção mexicana”, costuma dizer o craque, agora engravatado. Blanco teve apoio do presidente eleito Andrés Manuel López Obrador e venceu fácil, com 52,7% dos votos a eleição de julho.

Ao assumir o cargo, não esqueceu dos amigos. Germán Villa, ex-zagueiro do América, virou secretário dos Esportes. Gilberto Álcala, ex-juiz de futebol, tornou-se secretário do Desenvolvimento Social. Isaac Terrazas, que atuou na zaga da seleção mexicana na Copa de 1998, ganhou o cargo de diretor do Estádio Agustín “Coruco” Díaz, da cidade de Zacatepec. Por fim, Blanco encontrou emprego até para Francisco Reyes Olvera, ex-locutor do Estádio Azteca, nomeado secretário de imprensa.

A escolha mais estranha, no entanto, foi a de José Manuel Sanz, empresário espanhol que foi seu representante na época de jogador. Sanz, que trabalhou também com outros craques mexicanos, como Hugo Sánchez, Rafael Márquez e Alberto García Aspe, foi escolhido para ocupar o cargo de chefe de gabinete.

Morelos é um Estado de 2 milhões de habitantes, vizinho da capital mexicana, onde Blanco fez carreira como ídolo do América, um dos times mais populares do México – com 153 gols, ele é o segundo maior artilheiro da história do clube. Com passagens por Necaxa, Veracruz, Santos Laguna e Valladolid, ele pendurou as chuteiras aos 43 anos no Puebla, em 2015. 

Na Copa de 1998, em jogo contra a Coreia do Sul, Blanco consagrou o “drible canguru”, que consistia em prender a bola entre as pernas e erguê-la com um pulo para driblar os adversários. O drible acabou vetado pela Fifa, pela dificuldade que o adversário tinha em roubar a bola. 

Pela seleção do México, ele jogou 120 partidas, fez 38 gols e participou também das Copas de 2002 e 2010 – foi campeão pela seleção em 1999, na Copa das Confederações. Como político, Blanco já foi prefeito de Cuernavaca, capital do Estado de Morelos, e deixou o poder em meio a escândalos que fizeram sua candidatura ao governo ficar ameaçada pela Justiça. 

Com menos de um mês no cargo, o craque deu várias caneladas. Reclamou da “herança maldita” deixada pelo governo anterior e proibiu uma exibição beneficente do filme Roma, do mexicano Alfonso Cuarón, que arrecadaria dinheiro “exclusivamente para a caravana de imigrantes”, segundo o governador. “É censura”, rebateu o diretor. 

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