Catalan Government/Handout via REUTERS
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Ex-líder catalão contrata na Bélgica advogado que defendeu membros da ETA

Puigdemont viajou hoje a Bruxelas com cinco ex-conselheiros do seu gabinete que, como ele, foram destituídos na sexta-feira por um decreto do governo espanhol para restabelecer a legalidade após a declaração de independência da região

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 19h15

BRUXELAS - O advogado belga Paul Bekaert confirmou nesta segunda-feira, 30, que foi nomeado "conselheiro" pelo ex-presidente do governo da Catalunha Carles Puigdemont, segundo o jornal L'Echo e a rede estatal de televisão VRT.

Bekaert foi também o advogado de Natividad Jáuregui, suposta integrante da ETA (organização nacionalista basca que entregou as armas este ano) que a Bélgica rejeitou extraditar à Espanha após três ordens de prisão expedidas pela Audiência Nacional em 2004, 2005 e 2015.

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Segundo o L'Echo, Puigdemont e Bekaert se reuniram hoje à tarde na capital belga, onde também entrou em contato com outros advogados. A visita foi organizada pelo ex-chefe do escritório do governo catalão em Bruxelas, Amadeu Altafaj, também destituído pelo Poder Executivo espanhol.

Nesta segunda, porém, tanto o ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, do partido nacionalista N-VA, como a própria legenda, evitaram aproximação com Puigdemont.

Na mesma linha, o porta-voz do N-VA, Joachim Pohlmann, confirmou que se Puigdemont está hoje na capital belga "certamente não é por convite" do partido.

"Na minha agenda não há nenhuma reunião com Puigdemont planejada", disse o presidente do Parlamento belga, Jan Peumans.

Puigdemont viajou hoje a Bruxelas com cinco ex-conselheiros do seu gabinete que, como ele, foram destituídos na  sexta-feira por um decreto do governo espanhol para restabelecer a legalidade após a declaração de independência da região.

O procurador-geral do Estado espanhol anunciou nesta segunda-feira que apresentou uma denúncia por "rebelião" contra os membros do governo catalão destituído, acusados de provocar a crise institucional.  

 

A viagem de Puigdemont à capital belga, com escala em Marselha (França), ocorreu um dia após o secretário de Estado belga para a Imigração, Theo Francken, afirmar que o ex-presidente do governo catalão tem a opção de pedir "asilo político" na Bélgica.

O gabinete do primeiro-ministro belga, o liberal Charles Michel, não quis se pronunciar sobre a visita. / EFE

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