Ex-líder da Libéria admite que expunha restos de soldados

Charles Taylor, julgado no tribunal de Haia, afirma que não considerou atitude erro por serem corpos inimigos

Associated Press,

16 de julho de 2009 | 16h22

O ex-presidente da Libéria Charles Taylor disse nesta quinta-feira, 16, no tribunal de crimes de guerra em Haia, na Holanda, que não via nada de errado em expor o esqueleto de guerrilheiros mortos em bloqueios de estrada enquanto os exércitos rebeldes invadiam o país na revolução de 1989.

 

A invasão da Libéria e sua a ascensão de Taylor ao poder precederam o envolvimento do ex-líder na guerra civil de Serra Leoa, que ocorreu entre 1991 e 2002, pelo qual ele é acusado de 11 crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

 

Taylor usou seu terceiro dia de depoimentos de testemunhas para falar das evidências de um de seus mais violentos crimes - o de que ordenava seus homens na Libéria a amarrar restos humanos pelos postos de controle nas estradas e expor cabeças e crânios para amedrontar a população.

 

O ex-presidente, de 61 anos, se declara inocente. Apesar de admitir que mandava seus soldados exporem os restos dos inimigos, diz que não considerava a atitude um erro. "Eram crânios de inimigos, e não pensamos que esse símbolo fosse ofensivo. Não considerei isso um erro, e não ordenei sua remoção", afirmou.

 

Taylor também admitiu que ocorreram atrocidades durante a guerra, mas disse que havia treinado sua milícia para respeitar as regras dos combates.

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