Ex-líder do PC chinês é indiciado por corrupção

Bo Xilai, político popular que governou a metrópole de Chongqing, será julgado nas próximas semanas por suborno, peculato e abuso de poder

PEQUIM , O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2013 | 02h02

Bo Xilai, ex-secretário do Partido Comunista da China na metrópole de Chongqing, foi indiciado ontem e será julgado por corrupção e abuso de poder nas próximas semanas. Bo, de 64 anos, era um político em ascensão que dirigia a cidade até cair em desgraça no ano passado, após escândalo no qual sua mulher foi condenada pelo assassinato de um empresário britânico.

Ontem, a agência oficial de notícias Xinhua anunciou que ele foi acusado por suborno, peculato e abuso de poder e será julgado na cidade de Jinan, no leste da China.

Há meses, Bo tem sido um assunto inacabado na transição política chinesa. As dúvidas sobre o seu destino colocam em questão a nova liderança do partido, pois acredita-se que ele conte com o apoio de influentes membros do Partido Comunista, além de ser popular entre os moradores da cidade que dirigia, levantando suspeitas sobre se o partido poderá chegar a um consenso do que fazer com Bo.

"Deixar o caso se arrastar só aumentaria as dúvidas e suspeitas de discórdia política no interior da liderança do partido", afirmou Dali Yang, diretor da Universidade de Chicago, em Pequim.

Ao indiciar Bo, o Partido Comunista da China também concede a si mesmo tempo suficiente para chegar a um veredicto sobre o caso antes da grande reunião, que ocorre ainda este ano, e deve estabelecer a futura trajetória econômica do país.

O fato de ter sido divulgado que Bo será julgado indica que os líderes do Partido Comunista chegaram a um acordo sobre como lidar com o caso. "Isso é muito importante para Xi Jinping (presidente da China), porque mostra que ele é mais do que um integrante da liderança e é a pessoa que pode unificar as facções, não apenas em meio ao grupo de nomes principais, mas no âmbito do partido como um todo", disse Willy Lam, especialista em política partidária da Universidade Chinesa de Hong Kong. "Temos de nos lembrar que ainda há muitas pessoas que apoiam Bo e seus programas. Ele continua muito popular, não apenas em Chongqing, mas em outras partes da China."

"Encerrar o caso também vai permitir aos líderes chineses declarar vitória sobre a corrupção e outros abusos de poder", disse Yang, da Universidade de Chicago.

O escândalo teve início no ano passado, quando um auxiliar próximo de Bo fugiu para o consulado dos EUA e revelou que a mulher de Bo havia assassinado um empresário britânico. Ele foi expulso do partido e, em setembro, deixou de ser visto em público. / AP e REUTERS

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