Ex-líder Mubarak, do Egito, retorna ao tribunal em meio a caos

Confrontos nas ruas começaram nesta segunda-feira no momento em que o ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, retornava ao tribunal para enfrentar acusações de matar manifestantes, o primeiro líder árabe a ser julgado desde que as insurgências populares começaram a se espalhar pelo Oriente Médio.

MARWA AWAD E DINA ZAYED, REUTERS

15 de agosto de 2011 | 11h48

O helicóptero pousou perto do tribunal e em seguida, Mubarak, de 83 anos e doente, vestido com um casaco esportivo, foi levado em uma maca para sua jaula dentro do tribunal para a segunda sessão de seu julgamento.

Centenas de policiais mantiveram guarda, mas os confrontos irromperam em frente ao prédio entre uma multidão de simpatizantes de Mubarak e um grupo pedindo justiça pelos mortos na insurgência que derrubou o ex-líder há seis meses.

"O ladrão chegou!", gritaram os manifestantes anti-Mubarak, enquanto seus simpatizantes respondiam com mais barulho.

"Juiz acorde! Mubarak matou meus irmãos! Execute o assassino!", gritavam outros.

A multidão pró-Mubarak atirava pedras e o cordão de isolamento que separava os dois lados se rompeu, e simpatizantes de Mubarak perseguiram seus opositores para longe do prédio.

Em um tribunal lotado com advogados ansiosos, Mubarak parecia estar contido e austero, as mãos unidas sobre o peito. Uma agulha intravenosa estava implantada em sua mão esquerda. Ele não estava usando as roupas brancas exigidas normalmente para os presos.

Ele trocou algumas palavras com seus filhos Alaa e Gamal, que também estão sendo julgados e estavam dentro da mesma jaula que o pai.

O juiz Ahmed Refaat chamou o nome de Mubarak e ele respondeu "presente". Refaat pediu calma, ordenando que eles sentassem para permitir o início do processo.

A audiência pode decidir se o chefe do conselho militar que atualmente governa o país prestará depoimento.

Advogados da defesa dizem que qualquer testemunho do marechal Mohamed Hussein Tantawi sobre o papel de Mubarak em tentar reprimir o protesto de 18 dias, em que 850 pessoas morreram, poderia definir o destino do ex-presidente.

Tantawi, que foi ministro da Defesa durante duas décadas sob Mubarak, lidera o conselho militar que assumiu o poder no país quando Mubarak foi deposto em 11 de fevereiro por protestos massivos.

(Reportagem de Yasmine Saleh)

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