Ex-líder sérvio acusa EUA de armar muçulmanos bósnios

Radovan Karadzic, ex-líder sérvio durante a guerra da Bósnia-Herzegovina, e que agora responde por crimes de guerra, tenta provar que os Estados Unidos fizeram vista grossa a carregamentos de armas do Iraque para forças muçulmanas que lutavam na Bósnia. O objetivo dele é dar sustentação a suas afirmações de que os sérvios agiram em legítima defesa durante o conflito. "Aqueles norte-americanos sabiam que os muçulmanos bósnios estavam atacando civis quando forneceram armas a eles. Eles são auxiliares e cúmplices, com responsabilidade por crimes de guerra", escreveu ele.

AE-AP, Agencia Estado

26 de agosto de 2009 | 15h19

Karadzic afirmou que pediu a vários países documentos que sustentariam sua afirmação de que eles violaram o embargo de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), durante o conflito ocorrido entre 1992 e 1995. As afirmações de Karadzic indicam que este deve ser o tema central de sua defesa. Seu julgamento deve começar em algumas semanas no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia em Haia.

Karadzic faz sua própria defesa contra acusações de genocídio durante o massacre de muçulmanos bósnios em 1995 em Srebrenica, região declarada segura pela ONU, além de outros crimes contra a humanidade durante os três anos de guerra, nos quais estima-se que 100 mil pessoas tenham morrido.

Pela primeira vez nos 16 anos do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, os juízes permitiram que Karadzic se comunicasse com jornalistas, mas apenas por escrito, sem a possibilidade de novas perguntas. As respostas só foram liberadas após uma revisão do tribunal.

Karadzic foi indiciado por crimes de guerra em 1995. Ele desapareceu em 1998 e foi capturado em julho de 2008 em Belgrado, disfarçado como um professor de filosofias da nova era. Ele disse que quer apresentar documentos em seu julgamento que mostram que Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha e França "contemplavam a divisão da Iugoslávia e uma sangrenta guerra civil na Bósnia muito antes de eu entrar na cena política", e que os serviços de inteligência desses países estimularam a guerra.

Karadzic também disse estar "muito desapontado" com o fato de o tribunal ter se recusado a realizar uma audiência especial sobre sua afirmação de que o enviado de paz norte-americano, Richard Holbrooke, prometeu que ele não seria processado se deixasse o governo em 1995. Ele disse ter 18 testemunhas do fato. Holbrooke negou ter feito tal acordo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.