Ex-líderes brasileiros pedem o julgamento dos responsáveis pelo atentado contra a AMIA

Ataque terrorista ocorrido em 1994 na Argentina deixou 85 mortos

Ariel Palacios, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

18 Julho 2014 | 11h43

BUENOS AIRES - Os ex-presidentes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso condenaram o ataque terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) ocorrido em 1994 no bairro portenho de Balvanera. As mensagens dos dois ex-presidentes, que exigiram o julgamento dos responsáveis, foi exibida a um grupo de participantes de cerimônias que ocorrem em Buenos Aires desde a quinta-feira 17 em memória das 85 pessoas que morreram no atentado.

"Vocês merecem todo meu respeito. Há 20 anos vocês trabalham para que tamanha agressão à vida não seja esquecida e buscam o apoio de todos os que prezam a democracia. Esse é o caminho para não deixar que se repita essa atrocidade", afirmou o ex-presidente Lula.

Passados 20 anos da tragédia, nenhum dos responsáveis foi julgado. A Justiça argentina acusa um grupo de autoridades iranianas que integravam na época o governo de Teerã de ter realizado o atentado junto com o Hezbollah. Também existe o indício de uma conexão local vinculada à polícia argentina e ex-militares carapintadas, famosos por serem antissemitismo.

"Todo ato de terror é condenável, não pode ser esquecido e deve ser sempre punido. O exemplo de vocês é um exemplo em todas as partes do mundo", sustentou Lula.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu o ataque terrorista como "um massacre inaceitável" que "não pode voltar a acontecer". Segundo Cardoso, o atentado de 1994 "foi um crime contra a Humanidade".

"O mundo do futuro requer paz e Justiça. Mas, não haverá paz sem fazer Justiça. É preciso estar sempre alerta. Esperamos que coisas assim não aconteçam mais. Mas ninguém pode nos dar a certeza de que isso não voltará a acontecer. Por isso, é preciso a atenção permanente de todos os democratas do mundo para que não aceitem a intolerância. Somos todos iguais. Não podemos fazer discriminações, sequer por palavras. Nunca mais aceitaremos violência como a que houve em Buenos Aires no dia 18 de julho de 1994", concluiu Cardoso.

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