Ex-líderes do Sendero se casam em prisão de Lima

Abimael Guzmán, o fundador e ideólogo da insurgência maoista Sendero Luminoso, casou-se hoje com sua companheira e antiga tenente Elena Iparraguirre, informou o presidente do Instituto Nacional Penitenciário do Peru, Rubén Rodríguez Rabanal. Guzmán tem 75 anos e Elena, 62.

AE-AP, Agência Estado

20 de agosto de 2010 | 18h31

Ambos cumprem sentenças de prisão perpétua. A cerimônia durou 15 minutos e contou com a presença de familiares, informou Rabanal. A cerimônia aconteceu na Base Naval de El Callao, onde Guzmán cumpre sua sentença. Elena foi transportada ao local a partir da penitenciária feminina de Chorrillos.

O chefe de gabinete do governo do Peru, Javier Velásquez, disse após a cerimônia que o casamento dos dois líderes senderistas foi "o exercício de um direito humano, que obviamente não perturba a estabilidade política que existe no país". Rodríguez disse que familiares de Elena e militares da Marinha de guerra do Peru foram testemunhas.

O casamento de Guzmán e Elena aconteceu após anos de queixas dos dois. Eles reclamavam que as autoridades penitenciárias não permitiam que se encontrassem e colocavam entraves ao casamento. No início, ambos compartilhavam a mesma cela na Base Naval, mas posteriormente ela foi internada na penitenciária feminina.

Os dois lideraram o Sendero Luminoso, que entre 1980 e 2000 moveu uma guerra implacável contra a sociedade e o Estado peruanos. Uma Comissão da Verdade e Reconciliação, formada após o ano 2000, calcula que ao redor de 70 mil pessoas foram mortas ou desapareceram durante a luta do Sendero contra o governo. Guzmán e Elena foram capturados em 1992, durante o governo de Alberto Fujimori, num luxuoso apartamento, em Lima.

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