Ex-magnata russo Khodorkovsky é condenado de novo

O magnata russo Mikhail Khodorkovsky foi considerado culpado em seu segundo julgamento por fraude, encerrado hoje em um tribunal de Moscou. Khodorkovsky e seu sócio, Platon Lebedev, foram condenados por desfalque e lavagem de dinheiro, segundo o juiz Viktor Danilkin.

AE, Agência Estado

27 de dezembro de 2010 | 15h02

Os dois foram acusados de desviar 218 milhões de toneladas de petróleo da Yukos, empresa que pertenceu a Khodorkovsky, entre 1998 e 2003, e de lavar 487 bilhões de rublos (US$ 16 bilhões) e mais US$ 7,5 bilhões conseguidos com a venda do petróleo. "Este é um veredicto injusto de um tribunal que não é livre", disse o advogado de Khodorkovsky, Vadim Klyuvgant. "É uma vergonha para o país. Vamos apelar do veredicto."

Apenas um grupo de repórteres recebeu permissão para entrar na sala do tribunal e ouvir o veredicto, mas o juiz Danilkin ordenou que eles deixassem o local enquanto o restante da decisão era lido. "O tribunal estabeleceu que M. Khodorkovsky e P. Lebedev cometeram ato de desfalque em conspiração com um grupo de pessoas usando suas posições profissionais", disse Danilkin ao proferir a sentença. Os réus não demonstraram reação.

Centenas de partidários do ex-magnata se reuniram do lado de fora do tribunal e gritaram "Rússia sem Putin" e "abaixo o Estado policial". Um correspondente da agência France Presse viu a polícia prender 20 pessoas.

Klyuvgant disse que não está claro quando a sentença final será proferida, mas acredita que isso não acontecerá hoje. Khodorkovsky, de 47 anos, já foi o homem mais rico da Rússia. Ele cumpre uma pena de oito anos de detenção por fraude, acusação que seus partidários afirmam ter sido fabricada pelas autoridades. Com a libertação esperada para 2011, Khodorkovsky começou a ser julgado no ano passado por lavagem de dinheiro e desfalque, crimes que podem mantê-lo na prisão até 2017.

O veredicto foi visto como um indicador da futura direção da Rússia sob o governo do primeiro-ministro Vladimir Putin e do presidente Dmitry Medvedev, em meio a especulações de que Putin planeja voltar ao Kremlin nas eleições de 2012. Os liberais esperavam que o julgamento seria um sinal para o Ocidente de que a Rússia leva a sério sua proposta de reformas e deixaria claro a independência do Judiciário no governo Medvedev.

"Eu esperava este desfecho. Mas de qualquer forma estou frustrada", disse à agências Interfax Lyudmila Alexeyeva, uma das mais conhecidas defensoras dos direitos humanos da Rússia. Igor Yurgens, presidente do Instituto de Desenvolvimento Contemporâneo, entidade formada por Medvedev quando ele chegou ao poder em 2008, havia pedido, em entrevista concedida a um jornal, a libertação do ex-magnata para ajudar na aquisição de investimentos estrangeiros. "Não é justo. E não apresenta esperanças sobre o futuro da reforma nos tribunais", disse ele à agência RIA Novosti, após o veredicto. As informações são da Dow Jones.

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