Ex-médico de Perón diz que caudilho teve duas filhas

Há quase uma década a ex-cantora de ópera Martha Holgado causou rebuliço na Argentina ao afirmar categoricamente que era a filha ilegítima do falecido presidente Juan Domingo Perón. Enquanto os argentinos ainda estão em clima de suspense na espera do resultado do exame de DNA que verifique se Holgado é filha de Perón (o resultado demorará alguns meses), um ex-médico pessoal do ex-presidente causou nesta segunda-feira mais polêmica sobre a já questionada fertilidade do caudilho mais famoso da Argentina. Segundo o médico Hipólito Barreiro, Perón, além de Holgado (nascida em 1934, fruto de um caso do então coronel com um mulher separada), teve uma segunda filha.Barreiro sustentou que Perón teve uma segunda filha durante sua estadia na Europa, entre 1940 e 1941, quando foi adido militar na Itália. Segundo Barreiro, que apresentou nesta segunda seu livro "Juancito Sosa, o índio que mudou a história", sobre a vida de Perón, a segunda filha nasceu em 1941 fruto de uma relação com um professora italiana. Nos anos 60, quando estava no exílio em Madri, Perón teria ordenado a um de seus homens de máxima confiança, o empresário Jorge Antonio, a procurar essa filha. No entanto, Antonio não conseguiu localizá-la.Diversos políticos peronistas da velha guarda sustentam que Perón não podia ter filhos, pois havia ficado estéril por causa de um acidente de motocicleta nos anos 30. Essa versão também é defendida por Alejandro Perón, sobrinho-neto do ex-presidente, que alega que tanto a versão de Holgado como a do ex-médico, são "mentiras".No entanto, alguns historiadores recordam que a própria viúva de Perón, a ex-presidente María Estela Martínez de Perón, mais conhecida como "Isabelita", admitiu há anos que ficou duas vezes grávida de Perón (em 1957 e 1958). No entanto, em ambos casos, sofreu abortos espontâneos. Isabelita foi a terceira esposa de Perón. A primeira, Aurélia Tizón, morreu de câncer nos anos 30; a segunda, Evita Perón, teria tido abortos antes de conhecer Perón e morreu de câncer de útero.Após anos de espera - e da férrea oposição da velha guarda do Peronismo - Holgado conseguiu, há duas semanas, que a Justiça autorizasse a remoção de tecido do corpo de Perón para realizar um exame de ADN, e assim, poder comprovar - ou não - que é filha do caudilho que mais influenciou a política do século XX na Argentina.

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