Ex-membro da Ku Klux Klan é acusado de assassinatos

Mais de 24 anos após ter assassinado dois jovens negros, um ex-membro do grupo racista Ku Klux Klan foi acusado na quarta-feira, no Mississippi, pelo crime, informou o jornal Clarion-Ledger da cidade de Jackson.James Seale, um ex-oficial de justiça de 71 anos, foi detido pelo assassinato de Henry Hezekiah Dee e Charles Eddie Moore, em 2 de maio de 1964.Os jovens foram capturados e espancados, e depois lançados às águas do rio Mississippi. Os seus corpos foram achados no fim do mesmo ano, quando eram buscados três ativistas dos direitos civis também seqüestrados e assassinados, no caso que inspirou o filme "Mississippi em chamas" (1988), sobre o racismo no sul dos Estados Unidos.Segundo o jornal, em 2000, Seale se gabou de não ter sido provada a sua participação nos assassinatos. Em 1964, ele havia sido detido junto com outro suposto membro da Ku Klux Klan. Na ocasião, um agente do FBI disse saber que ele havia "transportado e eliminado os cadáveres, atirando-os no rio".Os documentos oficiais registram a resposta de Seale. "Eu sei que os senhores sabem. Mas não vou admitir. Os senhores têm que provar", disse.A acusação formal se inscreve na série iniciada em 1989 para purgar os abusos e assassinatos racistas cometidos na época da luta pelos direitos civis no estado. Desde 1989, o Mississippi e outros seis estados do sul do país retomaram a investigação de 29 assassinatos racistas, condenando 22 pessoas.

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