FBI / AFP
FBI / AFP

Ex-militar americano é preso por planejar ataque terrorista na Califórnia

Plano era detonar uma bomba durante uma manifestação de supremacistas brancos convocada para o domingo em Long Beach, evento que finalmente não foi realizado 

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2019 | 21h58

LOS ANGELES - Um ex-militar americano foi detido por suspeita de planejar um atentado terrorista de grande porte em Los Angeles em represália aos ataques contra uma mesquita na Nova Zelândia, informou o Departamento de Justiça nesta segunda-feira, 29.

Mark Steven Domingo, de 26 anos, um ex-soldado de Infantaria do Exército que combateu no Afeganistão e professava a fé muçulmana, foi detido na sexta-feira e enfrenta acusações federais por um plano de detonar "um improvisado artefato explosivo com o objetivo de causar baixas em massa".

O ex-militar foi preso por um policial disfarçado quando recebia o que pensava ser uma bomba, que utilizaria contra uma manifestação em Long Beach no fim de semana.

"Esta investigação desmantelou com sucesso uma ameaça muito real planejada por um militar com experiência de combate, que reiteradamente afirmou que pretendia causar o maior número de baixas", declarou o promotor federal Nick Hanna.

"Este foi um caso no qual as forças de segurança puderam identificar um homem consumido pelo ódio e decidido a assassinar em massa para detê-lo antes que pudesse realizar seu ataque", destacou Nick Hanna. "É um caso criminal que revela um arrepiante complô terrorista desenvolvido nos últimos dois meses e que visava americanos inocentes...".

Domingo foi denunciado por "planejar e agir para criar uma arma de destruição em massa para cometer homicídio em grande escala".

O ex-militar manifestou na internet e a fontes do FBI seu apoio à "violência jihadista, seu desejo de buscar represália aos ataques contra muçulmanos e que queria se tornar um mártir".

O plano era detonar a bomba durante uma manifestação de supremacistas brancos convocada para o domingo em Long Beach, evento que finalmente não foi realizado. 

Lealdade ao EI

Domingo expressou seu apoio ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e afirmou que "se viesse", lhes juraria lealdade, segundo declaração da fonte confidencial que colaborou com o FBI na sua prisão.

"Os Estados Unidos precisam de outro Las Vegas "para terem uma amostra do terror que com gosto espalham por todo o mundo", escreveu Domingo sobre o atirador Stephen Paddock, que deixou 58 mortos e dezenas de feridos ao disparar de um hotel contra um festival de música country.

Após avaliar várias possibilidades, incluindo ataques contra judeus, igrejas e policiais, Domingo se decidiu pela manifestação de supremacistas brancos de domingo, que não ocorreu.

Depois do ataque a duas mesquitas na Nova Zelândia, no dia 13 de março, que deixaram 50 mortos, Domingo escreveu: "Precisa haver vingança". 

O ex-militar pediu a um amigo - que colaborou com as autoridades - que lhe apresentasse um fabricante de bombas, e comprou centenas de pregos para uma granada de fragmentação.

Baseado nas publicações online, um agente disfarçado do FBI iniciou contatos com Domingo, que levaram a diversos encontros diretos.

Durante seu primeiro encontro com o agente disfarçado, em 28 de março, Domingo discutiu possíveis alvos de seu ataque e falou em disparar de seu carro com um fuzil de assalto AK-47 ou usar explosivos. /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.