Jean-Philippe Arles/AP
Jean-Philippe Arles/AP

Ex-militares são suspeitos de ataque a escola judaica

Polícia francesa investiga 3 soldados expulsos de regimento paraquedista em 2008 por atividades xenófobas e neonazistas

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 Março 2012 | 03h01

PARIS - Ex-soldados com passagem por um regimento de paraquedistas estão na mira da polícia e dos serviços secretos da França depois do assassinato de três militares de origem árabe e um de Guadalupe, além de um ataque a uma escola judaica que matou três estudantes e um professor, na segunda-feira. Todos os crimes ocorreram na região de Toulouse, no sul da França.

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Correndo contra o tempo para evitar um novo atentado, o Ministério do Interior confirmou ontem que três soldados expulsos em 2008 por atividades neonazistas estão sob investigação pelas mortes. As únicas convicções expressas em público pelas forças de ordem são que "muito provavelmente" os crimes são raciais e o terrorista que atacou a Escola Ozar Hatorah pode ter filmado seu crime. As autoridades temem que ele divulgue o vídeo na internet.

Mobilizado para tentar dar uma resposta à opinião pública, o Palácio do Eliseu ordenou na noite de segunda-feira a elevação do nível de alerta antiterrorismo ao seu grau máximo na região de Toulouse. A vigilância foi reforçada em locais de culto de judeus e muçulmanos, em escolas, estabelecimentos comerciais de propriedade de minorias religiosas, assim como instalações militares, estações de trem, aeroportos e metrô. Foi a maior mobilização de agentes da polícia e dos serviços secretos desde 1978, quando o chamado "Sistema Vigipirata" foi criado.

O esforço concentrado tem dois objetivos: reduzir o risco de novo ataque - até agora, um foi realizado a cada quatro dias - e verificar o alto número de informações fornecidas por moradores das cidades atingidas pelos crimes, Toulouse e Montauban.

Uma das hipóteses investigadas é a de envolvimento de ex-soldados do 17.º Regimento de Paraquedistas, do qual os militares mortos faziam parte. Há quatro anos, um núcleo de atividade neonazista foi identificado na unidade e três soldados foram expulsos por atividades xenofóbicas.

Segundo o ministro do Interior, Claude Guéant, a hipótese "merece atenção". Já o procurador do caso, François Molins, evitou descartar outras possibilidades e enfatizou o risco de um novo crime. "Todos nós notamos a periodicidade dos crimes. É um indivíduo extremamente determinado, que usa o mesmo modus operandi e pode passar à ação a qualquer momento."

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, lamentou em nova visita às famílias de vítimas a falta de avanços nas primeiras 36 horas após o último crime. "Infelizmente não temos nada até o momento", afirmou. "O que temos é uma obrigação de mostrar resultados rapidamente".

A habilidade do atirador com o manuseio de armas reforça a hipótese de que o criminoso tenha passado por treinamento militar. Segundo os especialistas na elaboração de perfis de suspeitos, o assassino tem pleno domínio do uso de pistolas .45 - conhecidas pelo alto poder de destruição - e características de psicopatia com desvios de comportamento. O criminologista Jean-Pierre Bouchard alerta para os indícios de paranoia alimentada por convicções ideológicas: "Ele tem uma mensagem a passar. Doentia, é claro, mas ainda assim um recado não apenas à sua comunidade, mas talvez ao exterior".

Comparação. Líderes israelenses criticaram ontem a chefe da política externa da União Europeia, Catherine Ashton, por ter comparado a morte das três crianças judias em Toulouse com a de crianças em Gaza.

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