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Ex-ministro chinês de Segurança Pública é condenado à prisão perpétua por corrupção

Zhou Yongkang, de 72 anos, foi considerado culpado também por revelação de segredos de Estado; julgamento foi no dia 22, mas sentença só foi divulgada nesta quinta

O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 16h04

PEQUIM - O ex-ministro de Segurança Pública Zhou Yongkang, um dos homens mais poderosos da China nos últimos 20 anos, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira, 11, por corrupção e revelação de segredos de Estado. Zhou é o representante do mais alto nível do governo chinês a ser julgado pelo regime comunista desde sua fundação, em 1949.

Segundo a agência oficial "Xinhua", Zhou, de 72 anos, aceitou a sentença, mostrou arrependimento e optou por não apelar ao veredicto, no qual ficou determinada a privação de seus direitos políticos e o confisco de seus bens pessoais. Seu julgamento foi em 22 de maio, mas todo o processo foi mantido em sigilo até esta quinta.

"Violei as leis e as regras do Partido (Comunista) incessantemente e meus crimes tiveram como consequência graves perdas para o partido e para a nação", disse com o semblante sério, em declarações citadas pela agência estatal, após ouvir a sentença.

Zhou, preso desde 2013, é o único ex-membro do Comitê Permanente do Partido Comunista da China - um seleto grupo de líderes, atualmente com sete pessoas, que controla o regime - que foi alvo de investigação desde 1949.

O grande poder que acumulou ao longo de sua carreira política fez com que seu julgamento se transformasse no de maior expectativa da história moderna do país, comparável apenas ao que aconteceu em 1981 no processo da "Gangue dos Quatro" - no qual estava a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Qing - pelos crimes da Revolução Cultural (1966-76), e em 2013 ao dirigido contra o ex-ministro de Comércio Bo Xilai, condenado a prisão perpétua por corrupção, e aliado do próprio Zhou.

No entanto, chama a atenção o declive na "transparência" que o regime chinês proporcionou nestes três grandes processos, pois se em 1981 o ato foi transmitido pela TV, em 2013 o de Bo pôde ser acompanhado apenas no site do tribunal, e o de Zhou foi altamente sigiloso.

Na sentença de hoje foi revelado que Zhou aceitou subornos no valor de US$ 21,3 milhões e se aproveitou de sua posição para beneficiar cinco pessoas: Jiang Jiemin (antigo presidente da empresa de petróleo CNPC e depois chefe de administração das empresas estatais chinesas), Wu Bing (influente empresário), Ding Xuefeng (ex-prefeito de Luliang), Wen Qingshan (antigo chefe de contabilidade da CNPC) e Zhou Hao (seu sobrinho).

A sentença acrescentou que a maior parte dos subornos foi, na realidade, recebida inconscientemente por sua esposa, a ex-apresentadora da TV pública Jia Xiaoye, e por seu filho Zhou Bin, ainda pendentes de julgamento. Além disso, Zhou instruiu Jiang Jiemin e Li Chuncheng (seu "número dois" quando governava a província de Sichuan) a ajudar em atividades empresariais nas quais seus dois cúmplices obtiveram ilegalmente US$ 344 milhões, causando perdas no valor de US$ 240 milhões ao Estado.

A sentença informou que apesar dos subornos - crime passível de pena de morte na China - terem sido "enormes", havia pontos a favor de Zhou, como o fato dele ter confessado os delitos, por muitas quantias terem sido entregues nas suas costas e pelo fato de todo o dinheiro ter sido recuperado. Também ressaltou que a revelação de segredos de Estado "não teve consequências graves".

A sentença de Zhou também faz parte da campanha anticorrupção, o grande símbolo do governo do presidente Xi Jinpig, que afirmou no início de seu mandato que em sua luta contra a fraude cairiam "tanto tigres quanto moscas", em alusão a políticos de todos os níveis. Zhou é para a propaganda oficial chinesa o "grande tigre enjaulado" desta campanha. / EFE e REUTERS

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