AP | 12.08.2015
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Ex-ministro da Defesa de Chávez é libertado

Raúl Baduel, que rompeu com o então presidente em 2007, cumpriu parte da pena por desvio de fundos e terá de ir mensalmente a um tribunal

O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 18h55

CARACAS - Um tribunal militar venezuelano ordenou nesta quinta-feira, 13, a libertação do ex-general Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa, após cumprir boa parte da pena imposta em 2010 pelo delito de desvio de fundos públicos.

A libertação do ex-ministro foi aprovada menos de 24 horas depois da concessão da prisão domiciliar ao líder opositor Daniel Ceballos, medida que foi recebida como um gesto positivo na Venezuela.

Baduel, de 60 anos, recebeu na noite de quarta-feira a liberdade condicional após completar 6 dos 7 anos e 11 meses de prisão aos quais foi condenado, informou à agência Associated Press o advogado de Baduel, Omar Tosta.

O advogado negou que a medida represente “um favor” ao ex-ministro e declarou que “segundo a lei, ele já deveria ter sido posto em liberdade condicional três anos atrás.

O juiz do caso proibiu Baduel de fazer declarações à imprensa e ordenou que ele se apresente a cada 30 dias em um tribunal, disse o advogado. 

Aproximadamente à meia-noite, Baduel – ex-aliado do presidente Hugo Chávez, morto em março de 2013 – deixou a prisão militar de Ramo Verde, onde está preso o líder opositor Leopoldo López, e viajou para sua casa na cidade costeira de Maracay, no Estado de Aragua, disse Cruz María Zambrano, mulher do general.

“Foi uma surpresa muito grande, um presente da vida, de Deus”, disse emocionada, enquanto viajava no mesmo veículo que seu marido. Consultada sobre o estado do ex-ministro, Zambrano disse que ele “está muito feliz, muito alegre, mas sereno”. 

Os filhos do general da reserva também disseram que a “justiça divina” ajudou seu pai. “Está sendo feita a justiça, sobretudo a justiça divina, pois a justiça terrena não se manifestou, apesar de lhe concederem a liberdade”, disse Adolfo Baduel, um dos 13 filhos do ex-ministro. 

O secretário-geral da Organização dos Estados Americano (OEA), Luis Almagro, saudou a libertação de Baduel e a prisão domiciliar concedida a Daniel Ceballos. 

A aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) também saudou as medidas anunciada em favor de Baduel e Ceballos, mas considerou que os gestos são insuficientes e continua exigindo a libertação plena dessas pessoas.

Ainda ontem, Deivis Oliveros, acusado de instigação pública e de associação para delinquir, mas considerado um preso político pela oposição, foi libertado sob condicional depois de passar quase um ano preso. / AP e EFE


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