Ex-ministro de Saddam é condenado a 15 anos no Iraque

Conhecido representante do ex-ditador no exterior, Aziz esteve envolvido em execução de 40 comerciantes

Agências internacionais,

11 de março de 2009 | 09h03

O ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro do Exterior do Iraque, Tariq Aziz, que por vários anos foi a face pública do regime do presidente Saddam Hussein no exterior, foi condenado nesta quarta-feira, 11, por um tribunal em Bagdá a 15 anos de prisão por execuções realizadas em 1992. Segundo a BBC, as acusações estão ligadas à morte de 42 comerciantes, condenados à pena máxima em julgamentos sumários por violar o controle de preços imposto pelo governo. Aziz negou participação no julgamento dos vendedores de farinha. Esta foi a primeira condenação de Aziz pelo Alto Tribunal Iraquiano, que foi criticado por grupos de defesa dos direitos humanos. Na semana passada, ele foi considerado inocente em outro julgamento, ligado à morte de manifestantes muçulmanos xiitas em 1999. Tariq Aziz era uma das figuras mais conhecidas - no Ocidente - da cúpula do governo iraquiano durante o regime de Saddam. Ele falava inglês fluente, fumava cigarros cubanos e concedeu muitas entrevistas quando era ministro do Exterior durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991. Pouco antes da invasão de 2003, liderada pelos Estados Unidos, tentou buscar apoio internacional para o Iraque e reuniu-se com o papa João Paulo 2º para pedir a paz. Aziz, um cristão em um governo majoritariamente muçulmano sunita, não era considerado um integrante do círculo mais próximo de Saddam, dominado pelos membros do clã vindo da cidade de Tikrit. Ele acabou se entregando para as forças americanas poucos dias depois da invasão. Filho de um garçon, Aziz nasceu em 1936 em Mosul, no norte do país. Apesar da origem humilde, ele estudou literatura inglesa na Universidade de Bagdá e se tornou jornalista, editando o principal jornal do Partido Baath, de Saddam.   O Superior Tribunal Iraquiano também condenou à forca dois meios-irmãos de Saddam por seu envolvimento no mesmo caso, julgado como "crime contra a humanidade". O veredicto ocorre menos de duas semanas depois de a mesma corte absolver Aziz pela morte e deslocamento forçado de xiitas em 1999, um processo que levou à terceira condenação à morte contra Ali Hassan Al Majeed, primo de Saddam.   Majeed, conhecido como "Ali Químico" por seu envolvimento no uso de gás para matar curdos na década de 1980, também foi sentenciado a 15 anos de prisão no caso da execução dos comerciantes. Saddam, enforcado em 2006, instituiu um tabelamento de preços na época em que seu país estava sob sanções da ONU por causa da invasão do Kuweit, em 1990.

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