Ex-ministro do Sudão é acusado de crimes de guerra

O promotor-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI) acusou nesta terça-feira, 27, um ex-vice-ministro do Interior sudanês por crimes cometidos na região de Darfur.Segundo o promotor Luis Moreno-Ocampo, Ahmed Muhammed Harun teria ajudado a recrutar membros para a milícia Janjaweed. O grupo é responsável por assassinatos, torturas e seqüestros no Sudão.Pronunciando-se após a citação de Harun, o governo do Sudão rejeitou a acusação e disse que não entregará os suspeitos.Assim como Harun - que cuidava da região em que Darfur está localizada -, o líder janjaweed Ali Mohammed Ali Abd-al-Rahman também foi citado por Moreno-Ocampo. Ambos são acusados de praticarem crimes de guerra e crimes contra a humanidade.Falando em Haia, Moreno-Ocampo pediu o indiciamento dos dois suspeitos em 51 processos.Cerca de 200 mil pessoas morreram e mais de dois milhões tiveram que deixar suas casas ao longo do conflito que castiga Darfur há quatro anos. O massacre é considerado o primeiro genocídio do século 21. Acusado por vários observadores internacionais de dar apoio às milícias islâmicas, o governo do Sudão estaria patrocinando o extermínio das populações não-muçulmanas que habitam o oeste do país.Recrutamento conscienteEm um documento de 94 páginas entregue aos juízes do TPI, Moreno-Ocampo afirma que Harun recrutou militantes "com o total conhecimento de que eles cometeriam crimes contra a população em Darfur". "Haroun visitava Darfur regularmente e tornou-se conhecido pela população de Darfur como o responsável do governo sudanês para o recrutamento e concessão de armas para os Janjaweed", continua Moreno-Ocampo."As evidências mostram que Haroun providenciou armas para os Janjaweed a partir de um orçamento ilimitado e sem auditoria pública."Ainda segundo o relatório de Moreno-Ocampo, os militantes "não tinham o objetivo de atacar grupos rebeldes. Ao invés disso, procuravam civis sob o argumento de que eles apoiavam as tropas rebeldes".Resposta sudanesaO ministro da Justiça sudanês, Mohammed Ali al-Mardi, insistiu que Haroun nunca possuiu ligações com as milícias islâmicas.O governo do Sudão não é signatário da convenção que criou o TPI, e afirmou que o tribunal não possui jurisdição para julgar cidadãos sudaneses. "Nós não nos preocupamos e não aceitamos a opinião do promotor-geral do TPI", disse Mardi."Todas as evidências às quais o promotor se referiu são mentiras contadas a ele por pessoas que pegaram em armas contra o Estado, contra os cidadãos e que mataram pessoas inocentes em Darfur", acrescentou o ministro, referindo-se ao fato de que toda a investigação sobre o caso é feita do exterior, por motivos de segurança.Texto ampliado às 16h57

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