Ex-ministro é alvo de Caracas e Washington

Rafael Ramírez é acusado de ter feito parte de um esquema de corrupção com subornos em troca de contratos com empresas

Jamil Chade, enviado especial, Impresso

25 Fevereiro 2018 | 05h00

O ex-presidente da petrolífera PDVSA Rafael Ramírez, que logo seria embaixador da Venezuela nas Nações Unidas, é acusado de ter feito parte de um esquema de corrupção com subornos em troca de contratos com empresas. Homem forte no governo de Hugo Chávez, é investigado pelo governo de Nicolás Maduro pelo desvio de US$ 4 bilhões entre 2009 e 2017 na PDVSA.

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Ele também é alvo da investigação da Justiça americana. A empresa Natural Resources, acusa o ex-aliado do governo chavista de cobrar propinas para autorizar qualquer tipo de negócio dentro da estatal. A empresa aponta que em 2012 foi chamada a pagar US$ 10 milhões a um intermediário na Flórida. O dinheiro teria como destino o próprio Ramírez, que também foi ministro de Petróleo do país. 

A Harvest havia fechado uma joint venture com a PDVSA e queria vender sua participação na estatal de Caracas. A empresa alega que estava sendo obrigada a pagar suborno. Ramírez nega qualquer irregularidade e denuncia uma “perseguição política” – ele tem sido alvo do Ministério Público venezuelano.

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Os americanos conseguiram abandonar o projeto com a PDVSA só quando Ramírez deixou a estatal, em 2016. Mas a Harvest acredita que a venda ocorreu por US$ 470 milhões, menos do que poderia ter sido obtido em 2012 ou 2013.

Num dos documentos do Tesouro americano, constata-se que “instituições financeiras têm alertado suas suspeitas sobre transações relacionadas com a corrupção na Venezuela, incluindo contratos governamentais”. “O governo venezuelano parece usar o controle sobre grande parte da economia para gerar uma riqueza significativa para seus representantes e para os executivos de estatais, suas famílias e seus parceiros.”

Chama a atenção dos investigadores nos EUA o envolvimento da cúpula das Forças Armadas em esquemas ilícitos. Desde janeiro, os americanos apuram o envolvimento de quatro militares venezuelanos em corrupção. Um deles, o general Rodolfo Clemente Marco Torres, ocupou o cargo de governador de Aragua, foi diretor da PDVSA, presidente do Banco da Venezuela e ministro de Alimentos. A acusação contra ele é a de ter estabelecido negócios ilícitos na importação de alimentos. Ele não foi localizado para comentar a acusação. 

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