AFP PHOTO / MATTHIEU ALEXANDRE
AFP PHOTO / MATTHIEU ALEXANDRE

Ex-ministro é surpresa na eleição da França

Emmanuel Macron, outsider da política, está em terceiro lugar nas pesquisas

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS

25 de setembro de 2016 | 05h00

A 210 dias do primeiro turno das eleições presidenciais na França, um outsider da política está embaralhando as cartas na corrida ao Palácio do Eliseu. Em meio a uma campanha que teria tudo para marcar um novo combate entre três velhos conhecidos - François Hollande, Nicolas Sarkozy e Marine Le Pen -, um jovem de 38 anos, ex-banqueiro e ex-ministro da Economia, está roubando a cena e atraindo eleitores desiludidos com os partidos históricos. Líder de um movimento político recém-fundado, Emmanuel Macron é a surpresa das pesquisas.

Pouco conhecido no cenário internacional, Macron é uma das personalidades políticas mais apreciadas da França. Nomeado por Hollande em 2014 como ministro da Economia de uma França em plena recessão, o ex-menino de ouro do banco de investimentos Rothschild se lançou em uma cruzada contra os dogmas do Partido Socialista (PS), o maior da base do governo. Dizendo-se social-liberal e recusando o rótulo de socialista, defendeu reformas profundas, como a flexibilização do mercado de trabalho, parte de um tratamento de choque com o qual pretende redinamizar a economia, rompendo com o alto desemprego - da ordem de 10% da população ativa. 

Depois de ser elevado a estrela do governo de François Hollande, ofuscando o primeiro-ministro, Manuel Valls, Macron decidiu-se pela criação de um movimento político, o En Marche (Em Marcha), que se diz “nem de direita, nem de esquerda”. Ao que tudo indica, trata-se do embrião de um partido para uma candidatura em 2017. Mesmo que ainda não seja de forma oficial um dos pretendentes ao Palácio do Eliseu, Macron já supera todos os candidatos de esquerda e, segundo as pesquisas, é um dos mais bem cotados para enfrentar a por ora favorita, a populista de extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN).

Segundo o instituto Elabe, o desempenho de Macron varia segundo o cenário eleitoral, mas em todos os que é cogitado aparece em terceiro lugar, mesmo que não tenha se declarado candidato. No cenário que lhe é mais favorável, tem até 18% das intenções de voto, em empate técnico com o ex-presidente Nicolas Sarkozy (Republicanos, de direita), que teria 19%. À frente estaria Marine, com 26,5%.

Uma das grandes questões da eleição de 2017 é quem será o vencedor da prévia do partido Republicanos - se Sarkozy ou o ex-premiê Alain Juppé, que é por ora o único a conseguir bater a candidata da Frente Nacional. Juppé e Macron disputam o mesmo eleitorado centrista, avesso ao discurso xenofóbico e protecionista, da extrema-direita, ou antiglobalização e protecionista, da esquerda radical.

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