Ex-ministro francês defende envio de força ao Oriente Médio

"Se os europeus enviarem um contingente militar, a guerra acaba da noite para o dia." Quem está sugerindo essa iniciativa é o ex-ministro do Exterior da França Claude Cheysson - um dos responsáveis pela montagem da operação-comando, em 1983, cujo objetivo era retirar Yasser Arafat de Trípoli, no Líbano, onde ele se encontrava cercado pelos militares israelenses comandados por Ariel Sharon.Hoje, o contexto é bem diverso, mas Arafat encontra-se cercado da mesma forma, sem que haja nenhuma iniciativa francesa ou européia para retirá-lo dessa posição humilhante. O ex-ministro de François Mitterrand lamenta a ausência de atitude européia e afirma que a França, na época, desviou uma de suas unidades navais para águas territoriais libanesas e, sem consultar ninguém, desembarcou um comando em Trípoli.Cheysson defende, sem qualquer hesitação, o envio de uma força de interposição francesa ou européia como já foi feito no passado, no Líbano. Na época, o envio de um contingente, inicialmente de franceses e italianos, acabou precipitando a intervenção dos norte-americanos.Ele admite que hoje os meios da França podem ser limitados, mas não os meios de que dispõe o conjunto dos países europeus. "Se soldados europeus tomassem posição nas zonas de conflito, alguém poderia acreditar que os soldados de Israel abririam fogo contra eles? A Europa teria o direito internacional a seu favor, exigindo respeito à inviolabilidade das fronteiras reconhecidas entre Israel e a Autoridade Palestina", afirmou o antigo ministro do Exterior da França.A seu ver, a presença de tropas européias em Ramallah garantiria a paz na região e permitiria o reinício da discussão da paz. Segundo Claude Cheysson , tal operação seria montada facilmente, desde que houvesse vontade política, mas não compreende por quê ninguém faz nada.Cheysson não aceita o fato de a Europa não ter os meios de pressão necessários, só os Estados Unidos. É claro que, em matéria de pressão política direta, os Estados Unidos parecem ser os únicos com peso para influir, mas a Europa possui outras armas. Ele afirma que Israel é muito mais dependente da Europa do ponto de vista das trocas comerciais do que dos Estados Unidos.Mais da metade das importações de Israel são provenientes da União Européia e menos de 20% dos Estados Unidos. O país tem ainda necessidade de investimentos maciços do exterior para reduzir o desemprego, resultado da vaga de imigração russa. Tudo isso, segundo o ex-chanceler, constitui um meio de pressão importante.Claude Cheysson diz também ter sido membro da Comissão Européia, encarregado da política de relações norte-sul para afirmar: "Tive ocasião de adotar sanções contra certos países e sei quais são as terríveis conseqüências que elas podem provocar".Finalmente, o ex-ministro do Exterior afirmou que "Israel assinou um acordo de livre comércio com a União Européia. Se esse acordo for suspenso, isto é, se o mercado europeu for fechado provisoriamente, Israel não poderá viver mais do que dois meses".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.