Misha Japaridze/AP
Misha Japaridze/AP

Ex-ministro pede novas eleições parlamentares na Rússia

Alexei Kudrin, amigo de Putin, afirma que governo deve reconhecer irregularidades e dialogar

Associated Press

06 de janeiro de 2012 | 08h38

MOSCOU - O ex-ministro das Finanças da Rússia Alexei Kudrin, aliado do primeiro-ministro Vladimir Putin, pediu nesta sexta-feira, 6, que as eleições parlamentares de seu país sejam realizadas novamente devido às suspeitas de fraudes que cercam o pleito e levaram a dezenas de protestos nas ruas de Moscou.

 

Em um comunicado postado em seu blog, Kudrin afirma que o governo deve abrir o diálogo com a oposição sobre a realização de uma nova votação, mas desta vez sob leis eleitorais revisadas. A nota deve inflamar ainda mais a atividade dos opositores de Putin a protestar contra o premiê, que disputará a presidência em março.

 

Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas da capital russa para exigir uma nova votação e o fim do governo de 12 anos do Rússia Unida, o partido de Putin e do presidente, Dmitri Medvedev, nos dias seguintes ao pleito, realizado em 4 de dezembro. Foram os maiores protestos populares na Rússia desde que o país fazia parte da União Soviética.

 

Kudrin disse que as autoridades precisam reconhecer que as eleições parlamentares de dezembro tiveram falhas, alertando que o mesmo poderia ocorrer na disputa presidencial. "Sem o reconhecimento de que as eleições foram injustas, o pleito presidencial será colocado em dúvida, não importa o quanto honesto seja", escreveu o ex-ministro.

 

De acordo com ele, o governo e a oposição devem dialogar sobre a mudança das leis eleitorais e das regras sobre partidos políticos. Ele ainda acrescentou que a pressão da oposição para derrubar Putin poderia gerar tumultos excessivos.

 

Embora Putin ainda não veja nos adversários qualquer nome que ameace sua busca à presidência neste ano, os protestos sinalizaram grande insatisfação popular e mostraram que dificilmente o premiê evitará um segundo turno. Qualquer evidência de irregularidade no pleito também pode aumentar a pressão e impedir a vitória do premiê.

 

Kudrin deixou o gabinete forçosamente em setembro, depois de servir 10 anos ao Rússia Unida. O motivo foram atritos com Medvedev. O ex-ministro é amplamente elogiado por suas políticas fiscais conservadoras, que pouparam a Rússia de sofrer maiores efeitos da crise econômica entre 2008 e 2009. Apesar das tensões, Putin afirma que ele e Kudrin são amigos. 

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