Reprodução/El Universal
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Ex-ministro venezuelano acusa Hugo Chávez de manipular tribunais

Eladio Aponte Aponte relatou casos de sentenças encomendadas pelo governo venezuelano

Reuters - O Estado de S.Paulo,

19 de abril de 2012 | 22h09

CARACAS - O ex-ministro da Suprema Corte da Venezuela Eladio Aponte Aponte, destituído do cargo no mês passado acusado de cooperar com um suspeito de narcotráfico, afirmou nesta quinta-feira, 19, que o governo de Hugo Chávez manipula sistematicamente os tribunais do país segundo seus interesses. Em uma entrevista a uma TV americana, ele disse que Caracas interfere até em casos relacionados a tráfico de drogas.

 

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Há duas semanas, o ex-magistrado fugiu para a Costa Rica, onde entrou em contato com agentes da DEA, a agência antinarcóticos dos EUA. Caso Aponte aceite cooperar com os policiais americanos, ele se tornará o mais graduado ex-funcionário venezuelano a testemunhar sobre a corrupção no governo Chávez. Se as acusações forem plausíveis, Washington deverá usá-las para desacreditar o governo esquerdista, sem descartar a possibilidade de processar altos funcionários venezuelanos.

Nesta quinta-feira, 19, o governo costa-riquenho confirmou que ele deixou o país em um avião americano. A DEA, porém, não comentou o assunto. Os EUA acusam o governo venezuelano de fazer vista grossa ao narcotráfico e de nomear militares corruptos para cargos importantes.

Chávez, por outro lado, assegura que a Venezuela tem conseguido vitórias importantes no combate ao narcotráfico na fronteira com a Colômbia e acusa os EUA de tentarem solapar a sua autointitulada "revolução".

Suando muito, Aponte admitiu à Soi TV – emissora de Miami que transmite programação em espanhol – que mudou o curso de processos a pedido de altos funcionários do governo chavista. "Acreditei em um processo revolucionário."

Segundo o ex-magistrado, membros do Executivo, entre eles o vice-presidente, Elías Jaua, reúnem-se semanalmente com juízes e promotores para determinar o andamento de casos considerados sensíveis. "Dali (da vice-presidência) é de onde saem as linhas condutoras da Justiça da Venezuela", afirmou, dando os nomes ou funções de diversos membros do Executivo que participam dos supostos encontros. "Em todos os níveis, (há) muita manipulação. Nenhuma decisão sai se não se consulta (o governo). A Justiça é uma massa de modelar."

Aponte perdeu o cargo acusado de colaborar com o fornecimento de uma carteira de identidade especial a Walid Makled, acusado de narcotráfico e lavagem de dinheiro. Na entrevista, o ex-magistrado admitiu conhecer o suspeito, mas disse que não sabia de seu suposto envolvimento com o crime na ocasião da entrega do documento.

"Ele é um ex-magistrado que vendeu a alma ao diabo, à DEA, após ser destituído do cargo processado por vínculos com máfias de narcotráfico", disse o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

 

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