Miguel Gutierrez / EFE
Miguel Gutierrez / EFE

Ex-ministro venezuelano é preso por 'complô para dividir militares'

Miguel Rodríguez Torres, chavista histórico, foi ministro do Interior de Maduro, mas rompeu com o presidente

O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 21h29

CARACAS - Miguel Rodríguez Torres, ex-ministro do Interior do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi detido nesta terça-feira por liderar um complô para dividir a Força Armada, informou o governo.

"Era procurado pela Justiça por envolvimento em ações contra a paz (...). Participava de complôs com a intenção de atentar contra a unidade monolítica da nossa Força Armada".

Segundo o governo, Rodríguez Torres - general da reserva e chefe de inteligência de presidente Hugo Chávez, morto em 2013 - planejava "ações criminosas" que incluíam "atos armados e contra a Constituição". Segundo o texto, "ele será colocado à disposição da Justiça". 

O Movimento Amplo Desafio de Todos (MADDT), fundado por Rodríguez Torres, qualificou a detenção de "arbitrária".

Assessores de imprensa do general, de 54 anos, confirmaram à AFP que ele foi detido por funcionários do serviço de inteligência (Sebin) em um hotel de Caracas, onde participava de um evento pelo Dia das Mulheres.

"Foi levado sem mandado judicial, é uma detenção arbitrária", disse um colaborador do  ex-ministro, que pediu para não ser identificado.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram o momento em que agentes do Sebin retiram Rodríguez Torres do hotel, onde participava de um ato político. O general é colocado em uma caminhonete branca e seu destino é ignorado. 

César Mogollón, integrante do MADTT, disse à imprensa que os agentes do Sebin estavam "fortemente  armados".

"O caráter ditatorial deste governo está se materializando aceleradamente", escreveu no Twitter Sergio Sánchez, também membro do MADDT. 

Rodríguez Torres se tornou um ativo representante do chavismo dissidente e Maduro o acusava de planejar um golpe com a "direita" para derrubar o governo.

Chavista histórico, o militar participou da tentativa de golpe liderada por Chávez no dia 4 de fevereiro de 1992 contra o presidente Carlos Andrés Pérez. / AFP

 

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