Ex-ministros talebans se rendem e são anistiados

Os ex-ministros da Defesa e da Justiça do regime taleban, derrubado em dezembro, assim como outros dirigentes do antigo regime, renderam-se ao novo governo do Afeganistão e foram colocados em liberdade, anunciou hoje um comandante em Kandahar. Jalal Khan, lugar-tenente do governador de Kandahar, Gul Agha, disse à agência de notícias Associated Press que esses ex-funcionários haviam sido anistiados após reconhecerem o novo governo interino do primeiro-ministro Hamid Karzai. Khan acrescentou que lhes foi permitido regressar a suas casas e se reunir com suas famílias. "Esses homens que se renderam são nossos irmãos e lhes permitiremos viver em paz. Não serão entregues aos EUA", disse Khan. "No entanto, não lhes será permitido participar da vida política". Entre os anistiados, está o mulá Ubaidullah, ministro da Defesa dos talebans, a quem os EUA acusaram de permitir a proliferação de células da organização terrorista Al-Qaeda, encabeçada pelo milionário saudita Osama bin Laden. Noorudin Turabi, ex-ministro da Justiça que impôs alguns dos editos mais cruéis do regime taleban, também recebeu anistia. Outros anistiados são Abdul Haq, ex-chefe de segurança da província de Herat, onde o regime taleban nunca foi bem recebido; o ex-ministro das Minas, mulá Saadudin, e três altos funcionários: Raees Abdul Wahid, Abdul Salm Rakti e Mohamad Sadiq. Funcionários do Ministério de Inteligência em Cabul não formularam comentários hoje sobre a suposta rendição e anistia dos ex-funcionários talebans. Em Kandahar, Khan disse que o novo governo cumpriu a diretriz de conceder anistia aos talebans que reconhecessem o governo de Karzai. As negociações sobre a rendição de ex-dirigentes talebans têm frustrado a coalizão encabeça pelos EUA, particularmente a aparente fuga na semana passada do chefe supremo do Taleban, mulá Mohamed Omar, apesar de ter estado cercado no distrito montanhoso de Baghram. O tenente naval James Jarvis, em uma sessão informativa diária no aeroporto de Kandahar - onde há mais de 300 prisioneiros da Al-Qaeda e do Taleban -, não manifestou objeções à libertação dos ex-funcionários talebans. "Não é nossa tarefa determinar quem deve ficar sob custódia nestes momentos", disse Jarvis. Em Washington, o chefe do Estado Maior, general Richard Myers, disse ontem que as tropas americanas que estão completando suas operações na zona afegã de Tora Bora, próxima à fronteira com o Paquistão, capturaram dois altos membros da rede Al-Qaeda, com seus computadores e telefones celulares. Myers acrescentou que também foram encontradas algumas armas leves e manuais de instrução. Os dois capturados, que foram encontrados na segunda-feira em um grupo de 14 supostos membros da Al-Qaeda, foram imediatamente enviados ao centro de detenção de Kandahar. As operações americanas se deslocaram de Tora Bora para a região de Zawar Kili, perto de Khost, na província de Paktia - sede de um antigo campo de treinamento da Al-Qaeda e local de concentração para uma possível fuga de combatentes para o Paquistão. Grupos de forças especiais dos EUA estão no local - o mesmo em que na sexta-feira morreu um soldado "boina verde" americano em uma emboscada. Leia o especial

Agencia Estado,

09 Janeiro 2002 | 13h22

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