Ex-motorista nega ter apoiado planos de Bin Laden

Hamdan é acusado de integrar Al-Qaeda no 1º julgamento militar desde que prisão foi criada, há mais de 6 anos

Agências internacionais,

21 de julho de 2008 | 10h59

O primeiro julgamento por crimes de guerra em Guantánamo começou nesta segunda-feira, 21, com um ex-motorista do milionário saudita Osama bin Laden alegando inocência. Salim Ahmed Hamdan declarou-se inocente por intermédio de seu advogado em uma audiência realizada em meio a intenso esquema de segurança na base naval mantida pelos Estados Unidos em Guantánamo, Cuba.   Veja também: Correspondente do Estado visita Guantánamo    Hamdan é o primeiro prisioneiro a ser julgado por crimes de guerra pelos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Ele é acusado de conspiração e colaboração com terrorismo e caso seja considerado culpado, estará sujeito a sentença máxima de prisão perpétua. A Promotoria afirma que Hamdan era parte da rede islâmica Al-Qaeda; sua defesa diz que ele foi somente o seu motorista e que fazia o trabalho por que precisava do pagamento mensal de US$ 200.   A expectativa é de que o julgamento dure de três a quatro semanas com depoimentos de mais de 20 testemunhas designadas pelo Pentágono. O tribunal militar foi criado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001, o primeiro estabelecido para crimes de guerra desde a Segunda Guerra Mundial.   O juiz Keith Allred, um capitão da Marinha, indicou no início da audiência que não permitirá que o governo use algumas das evidências que os interrogadores obtiveram durante a detenção de Hamdan no Afeganistão. Os advogados de defesa afirmam que os depoimentos de Hamdan colhidos na ocasião foram obtidos por meio de coação e que os interrogadores não advertiram seu cliente de que ele poderia estar se auto-incriminando.   O próprio Hamdan disse em audiências anteriores que foi agredido, ameaçado de morte, privado do sono antes de interrogatórios e sexualmente humilhado por uma militar. Os militares afirmam que suas afirmações de maus-tratos são falsas.   Em depoimento que durou mais de dois dias, agentes federais disseram que Hamdan os indicou a localização dos esconderijos e campos de treinamento de Bin Laden no Afeganistão. "Salim descreveu a promessa de um voto sagrado de fidelidade a Osama Bin Laden", disse Robert McFadden, um agente do Serviço de Investigação Criminal da Marinha que interrogou Hamdan em Guantánamo em 2003.   Segundo a BBC, Hamdan foi capturado em uma operação militar em uma estrada no Afeganistão, em novembro de 2001. Na ocasião, segundo as forças dos Estados Unidos, ele estaria transportando dois morteiros em seu veículo. Hamdan foi levado para Guantánamo em maio de 2002 e foi um dos primeiros detidos no presídio a ser processado.   Os Estados Unidos já indiciaram até o momento 20 prisioneiros de Guantánamo, e autoridades militares estimam que, ao todo, 80 presos serão processados. Em junho, a Suprema Corte americana determinou que presos detidos na ilha deveriam ter o direito de levar seus casos a tribunais civis. Mas, na semana passada, uma nova decisão judicial determinou que o julgamento de Hamdan poderia ter início sem que houvesse contradição com a decisão da Suprema Corte. Matéria atualizada às 13h45.       

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