Ex-mulher de Carlos Menem diz que corpo do filho foi profanado

Segundo a mãe, legistas atestaram que o corpo foi mexido e alguns ossos, trocados

Ariel Palacios, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2014 | 15h33

BUENOS AIRES - A ex-primeira-dama argentina Zulema Yoma, ex-mulher do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), comunicou na terça-feira por intermédio de seus advogados que o cadáver de seu filho, Carlos Menem Junior, foi profanado no cemitério islâmico do município de San Justo, na Grande Buenos Aires, onde foi enterrado em 1996.

Segundo Zulema, os médicos legistas que contratou consideram que o corpo teria sido manipulado, já que - em comparação com os exames da autópsia, de 19 anos atrás - alguns ossos dos restos mortais de seu filho foram trocados, entre eles o crânio e uma perna. A denúncia também indica que existem diferenças nas arcadas dentárias.

Além disso, uma das pernas aparece com um gesso, algo que Carlos Junior não tinha no momento do acidente. Desde 1996 Zulema periodicamente realiza declarações afirmando que seu filho não morreu em um acidente - tal como sustenta a versão oficial - mas sim em um "atentado". Nos primeiros anos a Justiça e a mídia minimizavam suas declarações. No entanto, com o decorrer do tempo e com o surgimento de indícios estranhos, a teoria de um suposto assassinato do filho presidencial começou a ser encarada com seriedade.

Carlos Menem Junior - que na época do acidente Carlos Junior era secretário de seu pai e tinha vida de playboy - morreu no dia 15 de março de 1995, quando seu pai estava em plena campanha para a reeleição presidencial. O jovem, que pilotava um helicóptero que espatifou-se na estrada entre as cidades de Zárate e Buenos Aires, morreu no hospital.

Meses atrás Menem declarou no tribunal que a morte de seu filho havia sido "um atentado". No entanto, o ex-presidente não forneceu na ocasião maiores detalhes sobre o assunto. Na próxima terça-feira Menem comparecerá novamente nos tribunais para falar sobre o assunto.

Durante anos Zulema acusou o ex-marido de fazer um pacto de silêncio que manteria a suposta impunidade dos virtuais mandantes da morte. Em maio passado, a ex-amante do traficante colombiano Pablo Escobar, Virginia Vallejo, declarou em entrevista que por trás da morte do filho presidencial existiam atividades de lavagem de dinheiro.

A morte do filho do presidente gerou diversas teorias, entre elas, a de uma suposta vingança de narcotraficantes que teriam atirado no helicóptero. Outra teoria indicava que havia sido uma vingança do governo da Síria, pois Menem havia prometido transferência de tecnologia do argentino míssil Cóndor, que nunca cumpriu. Todas estas teorias sustentam que Menem saberia quem teria assassinado seu filho, mas que, por motivos obscuros, o ex-presidente, atualmente com 84 anos, nada disse ao longo destes anos.

Entre 1996 e 1997 diversos peritos verificaram que os restos da fuselagem do helicóptero acidentado, guardados em um galpão da Polícia Federal, exibiam sinais de marcas de bala. Mas, antes da perícia concluir, esses restos desapareceram misteriosamente. Entre os pontos misteriosos dessa morte está o desaparecimento de uma valise com US$ 30 mil que levava no aparelho.

Para entender. Diversas testemunhas do acidente morreram de formas misteriosas: Epifanio Siri, caseiro da propriedade onde o helicóptero caiu, morreu pouco depois de prestar depoimento, atropelado por um caminhão. Antonio Trotta, que estava no lugar do acidente, declarou que no aparelho também havia uma mulher loira que desapareceu. Trotta, que afirmava que sabia quem havia escondido os US$ 30 mil sumidos, foi baleado pela polícia.

Outra testemunha, Carlos Santander, que afirmava que havia filmado o acidente, morreu no meio de um tiroteio. Miguel Luckow, investigador que analisou o helicóptero foi assassinado na porta de casa. Segundo a polícia, foi um assalto, mas sua carteira permaneceu intacta no bolso.

Héctor Bassino, o primeiro delegado a chegar ao lugar da queda foi metralhado na rua. Outra vítima fatal foi Eduardo Manchini, perito em balística que analisou a possibilidade de atentado, baleado na cabeça. Manchini ficou em estado vegetativo.

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