Ex-mulher de Octavio Paz era espiã do governo mexicano

A escritora Elena Garro, primeira esposa do Prêmio Nobel de Literatura Octavio Paz, era espiã do governo mexicano, segundo revelaram documentos oficiais do Arquivo Geral da Nação.De acordo com os relatórios, Elena foi informante da Direção Federal de Segurança mexicana pelo menos entre 1962 e 1970. Sua função era fornecer informações sobre o movimento estudantil, intelectual e político da época.Os documentos sobre a espionagem se tornaram públicos depois de uma solicitação de um cidadão não identificado ao Instituto Federal de Acesso à Informação (Ifai).Elena, que ficou muito tempo exilada em Paris, trabalhou para a Inteligência mexicana durante o mandato do presidente Gustavo Díaz Ordaz, acusado pelo chamado Massacre de Tlatelolco, ocorrido em 2 de outubro de 1968, às vésperas dos Jogos Olímpicos.Os documentos mostram que Elena, também vigiada pela espionagem mexicana, teve um encontro acidental com Lee Harvey Oswald, suposto assassino do presidente norte-americano John F. Kennedy.Elena exilou-se em 1974 em Madri e depois voltou ao México, mas fugiu para Paris depois da onda de manifestações contrárias ao governo em 1968, que culminaram nesse massacre.Devido ao massacre, Octavio Paz, autor de Labirintos da Solidão, renunciou a seu cargo de embaixador na Índia. O poeta estava separado de Elena desde 1959, depois de 22 anos de casamento.Depois de voltar ao México em 1993, Elena Garro foi morar em Cuernavaca, onde morreu em condições precárias em agosto de 1998, apesar de Paz ter sempre a apoiado economicamente.

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