AP Photo/Juan Karita
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Ex-namorada de Evo Morales diz que apresentou filho que teve com ele à Justiça

A advogada Gabriela Zapata, que está presa desde março por suposto tráfico de influência, pediu que o presidente boliviano 'tome medidas e proteja' a criança, que teria entre 8 e 9 anos

O Estado de S. Paulo

15 Abril 2016 | 10h37

LA PAZ - Gabriela Zapata, ex-namorada do presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou na quinta-feira, 14, que apresentou o filho que teve com o chefe de Estado em um tribunal de La Paz, mas não forneceu detalhes sobre essa ação devido ao sigilo judicial que há sobre o caso.

"Perante a autoridade competente, o apresentei como pediu seu pai (Evo Morales). Quero dirigir-me a ele diretamente. Que, por favor, tome medidas sobre este assunto e o proteja, porque os representantes que falam em seu nome somente estão criando boatos sobre meu filho e pedindo medidas cautelares para tirarem ele de mim", disse Gabriela.

A ex-namorada de Evo fez essas declarações aos veículos de imprensa ao sair de uma audiência judicial na qual seus advogados solicitaram, sem sucesso, sua liberdade por considerarem que ela permanece detida de forma injusta. 

Gabriela, que está presa desde 28 de fevereiro acusada de supostos crimes financeiros, insistiu que Evo deve garantir medidas de segurança para seu filho, que nasceu em 2007.

A existência da criança, que teria entre 8 e 9 anos, foi motivo de polêmica desde que Gabriela foi detida, já que Evo  e seus ministros afirmaram que o menino tinha morrido pouco depois do nascimento, enquanto outras autoridades disseram que ele sequer teria nascido.

Gabriela detalhou na quinta-feira que não voltará a comentar sobre a polêmica em relação a seu filho porque este é um tema reservado e tem esse caráter por uma decisão da Justiça.

Na saída do Tribunal de Justiça de La Paz, o advogado da ex-namorada de Evo, William Sánchez, declarou à emissora de televisão "ATB" que "foram apresentadas várias provas" sobre o menor, mas se recusou a fazer mais comentários pelo sigilo determinado pela Justiça sobre o caso.

Diante da versão de que a criança existia, ao contrário do que alegava, Evo apresentou um processo contra Gabriela para que ela apresentasse o menino e se ofereceu para ficar com ele. No entanto, após esse pedido, várias autoridades do governo boliviano insistiram que o menor não estava vivo porque não havia nenhum documento oficial que comprovasse sua existência.

Quando Evo e Gabriela mantiveram uma relação, o presidente tinha 47 anos e ela, segundo diferentes versões, entre 18 e 21.

Um grupo de parlamentares visitará Gabriela nesta sexta-feira na prisão em La Paz para ouvi-la sobre um suposto caso de tráfico de influência em favor da empresa chinesa Camce, que assinou vários contratos milionários com o Estado boliviano e na qual a ex-amante do presidente ocupava um alto cargo até o mês passado.

O governo acusa Gabriela de ter usado os escritórios do Ministério da Presidência, com a cumplicidade de uma funcionária, para realizar negociações com empresários. / EFE

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