Ex-namorada de Kim Jung-un, dada como morta, ressurge

No fim do ano passado, jornais noticiaram que cantora tinha sido executada por ordem do líder

The New York Times/O Estado de S.Paulo

21 Maio 2014 | 02h04

SEUL - Dada como morta desde 2013, a cantora pop norte-coreana Hyon Song Wol fez uma surpreendente reaparição na sexta-feira. Hyon participou de um comício de artistas em Pyongyang, no qual saudou o líder Kim Jung-un, de quem teria sido namorada, e prometeu dedicar todos os seus esforços à causa artística.

A aparição da vocalista da Moranbong Band, primeiro grupo de mulheres do país, foi transmitida ao vivo pela TV estatal e pôs fim ao rumor de que ela teria sido executada no fim do ano passado por um pelotão de fuzilamento em razão de ter participado de orgias sexuais.

"A onda de rumores sobre a Coreia do Norte está fora de controle", disse ao New York Times o ex-governador do Estado americano do Novo México, Bill Richardson, que visitou a Coreia do Norte várias vezes. É um problema, segundo ele, "mais agora do que nunca, já que conhecemos muito pouco sobre Kim Jong-un, seu estilo de governar e suas verdadeiras intenções".

Não que as execuções de entes próximos a Kim sejam apenas intrigas externas. A mídia estatal norte-coreana alimenta a imagem dele como um líder inclemente, confirmando que seu próprio tio e mentor foi executado em dezembro por tentativa de usurpar o poder e devassidão.

Além disso, o líder norte-coreano ameaçou os Estados Unidos com armas nucleares e uma investigação das Nações Unidas sobre os direitos humanos no país acusou-o de administrar um sistema de gulags, no qual os prisioneiros passam fome e sofrem espancamentos.

Kim, neto do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, tem sido um mistério desde sua ascensão mais de dois anos atrás, tanto que todos os rumores sobre ele logo assumem o status de "fatos". No ano passado, por exemplo, circulou a informação de que, ao banir seu tio, ele o teria jogado vivo a uma matilha de cães famintos. A origem dessa peça de ficção foi traçada até o post de um blog chinês.

Em agosto, um jornal conservador da Coreia do Sul reportou que Kim havia ordenado a execução de dezenas de artistas norte-coreanos, incluindo Hyon, por produzir vídeos deles mesmos fazendo sexo para depois vendê-los.

O Asahi Shinbum, do Japão, fez coro, ao reportar que o líder havia decidido executar a ex-namorada para evitar que o passado de sua atual mulher, Ri Sol-ju, também artista, viesse à tona. Por fim, o diretor do serviço secreto sul-coreano ratificou a informação da execução.

Na sexta-feira, no entanto, o governo norte-coreano parece ter encontrado uma maneira de responder aos relatos, mostrando Hyon em um uniforme militar verde no Encontro Nacional de Artistas em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, falando sobre Kim ter concedido a ela e a seu grupo de cantoras, Moranbong, conhecido por suas saias curtas e performances de canções clássicas americanas como My Way e Rocky. "A Moranbong Band só é possível hoje em razão da confiança e dos cuidados do Querido Líder", disse Hyon na transmissão de TV.

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