Ex-negociador diz que cresce a vontade de expulsar Arafat

Cresce o número de pessoas dentro do governo de Israel que quer expulsar o líder palestino, Yasser Arafat, do território. O alerta foi feito à Agência Estado por Meir Rosenne, negociador do governo de Israel no processo de paz com o Egito nos anos de 1970 e o principal conselheiro jurídico durante cinco diferentes governos israelenses. Segundo Rosenne, Arafat não está cumprindo o que prometeu: acabar com o terrorismo."Será difícil negociar um acordo de paz com os palestinos enquanto Arafat estiver à frente da Autoridade Palestina. São os próprios palestinos que devem escolher seu líder, mas espero que tenham a consciência de que devem encontrar alguém que possa chegar a um entendimento com Israel", afirma o negociador. Na avaliação do israelense, o governo de Israel não confia em Arafat, já que o líder teria supostamente passado os últimos nove anos incitando o terrorismo e ataques suicidas. "O que ele (Arafat) promove é uma guerra contra a existência de Israel", afirma Rosenne, que garante que nunca o povo israelense esteve tão unido contra os ataques suicidas como hoje. Rosenne ainda acusa Arafat de corrupção e de não representar os "reais interesses do povo palestino". O que o negociador se recusa a comentar, porém, é a estratégia usada pelo atual governo de Israel para combater Arafat. "Apenas tomamos decisões em resposta ao que nos ocorre", explica. Rosenne nega que uma solução para disputa seja encontrada por mediadores como a ONU, os Estados Unidos ou a União Européia (UE). "Somente haverá um fim à batalha quando os dois lados concordarem em dar uma solução. Uma paz imposta por uma terceira parte não funcionará", afirma. Para ele, a proposta do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de enviar uma força de paz para a região somente poderá ocorrer depois que um acordo entre palestinos e israelenses for feito.

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