Ki Price/AFP
Ki Price/AFP

Ex-porta-voz da Grã-Bretanha é detido

Andy Coulson, ex-diretor de comunicação do premiê britânico, foi preso pela polícia e libertado sob fiança após nove horas de depoimento sobre o escândalo dos grampos feitos pelo 'News of the World', tabloide que na época era chefiado por ele

AP, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2011 | 00h00

Andy Coulson, que até janeiro era porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi preso ontem em Londres. Ele é acusado de envolvimento no escândalo de escutas ilegais feitas pelo tabloide News of the World, do qual foi editor de 2003 a 2007. Após nove horas de depoimento, ele foi libertado sob fiança.

A polícia também prendeu - e libertou horas depois - Clive Goodman, jornalista que escreveu sobre a família real para o jornal até 2006. Em janeiro de 2007, ele passou quatro meses na prisão pela interceptação de telefonemas da realeza. Agora, as acusações contra ele envolvem suborno de policiais, que lhe passavam informações - investigadores encontraram indícios de que US$ 160 mil foram entregues por ele a cinco policiais.

Nos últimos anos, o tabloide teria grampeado ao menos 4 mil pessoas em busca de informações sobre celebridades, políticos, membros da família real, vítimas de crimes e até de parentes de soldados mortos no Afeganistão e no Iraque. Entre os grampeados estariam o príncipe William, a atriz Gwyneth Paltrow, o ator Hugh Grant, a modelo Elle Macpherson, o cantor George Michael e o prefeito de Londres, Boris Johnson.

Esta semana, o caso ganhou nova força após a denúncia de que o investigador Glenn Mulcaire, contratado pelo tabloide, invadiu a caixa postal do celular de Milly Dowler, de 13 anos, sequestrada e morta em 2002. Enquanto a polícia procurava a garota, ele ouviu suas mensagens e apagou algumas para deixar espaço para novas - o que fez a família e a polícia acreditarem que ela estivesse viva.

Por causa das escutas ilegais, Mulcaire foi detido com Goodwin, em 2007, e cumpriu 6 meses de prisão. Agora, a polícia encontrou evidências de que o detetive, além da menina Milly, também grampeou parentes de soldados britânicos mortos no Iraque e no Afeganistão.

A crise fez o grupo News Corp., do magnata australiano Rupert Murdoch, anunciar a edição de amanhã será a última edição do News of the World, que existe desde 1843, circula somente aos domingos e vende cerca de 2,3 milhões de exemplares. O escândalo já afeta a política britânica. O premiê David Cameron, que deu emprego a Coulson, é acusado pela oposição trabalhista de ter relações próximas demais com Murdoch. Ian Lewis, deputado trabalhista, chegou a enviar uma lista de questões para o premiê responder. O problema é que a oposição também teve, nos governos de Tony Blair e Gordon Brown, uma boa relação com Murdoch, que se aproxima dos premiês britânicos para expandir seus negócios. Nas eleições de 2010, o magnata adotou os conservadores, após 13 anos de apoio aos trabalhistas.

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