EFE/ Vidal Tarqui/Agencia Andina
EFE/ Vidal Tarqui/Agencia Andina

Ex-prefeita de Lima é presa em caso envolvendo Odebrecht e OAS

Em um escândalo de corrupção, procuradoria acusa Susana Villarán de ter recebido dinheiro das construtoras brasileiras para a campanha de um referendo sobre a revogação de seu mandato e para sua tentativa de reeleição

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 21h36

LIMA - Um juiz peruano mandou para prisão preventiva por 18 meses a ex-prefeita de Lima Susana Villarán, nesta terça-feira, 14. Ela é acusada de ter recebido contribuições ilegais de campanha das construtoras brasileiras Odebrecht e OAS.

Em um escândalo de corrupção que atinge quatro ex-presidentes peruanos, a procuradoria acusa Villarán de ter recebido dinheiro da Odebrecht para financiar a campanha de um referendo sobre a revogação de seu mandato, em 2013, que ela venceu, e da OAS para sua tentativa de se reeleger em 2014, que não prosperou.

O juiz Jorge Chávez, do Terceiro Juri de Investigação Preparatória Especializado em Delitos de Corrupção, decretou a "prisão preventiva por 18 meses contra a cidadã Susana Villarán". 

"Existe obstrução e ocultamento de provas" por parte de Villarán, bem como "risco de fuga", acrescentou o juiz para fundamentar sua decisão.

O Ministério Público tinha pedido 36 meses de prisão preventiva para a ex-prefeita, mas o juiz só concedeu metade desse tempo. 

A procuradora Angela Zuloaga, que pediu a prisão de Villarán na sexta-feira, disse que o ex-diretor da Odebrecht no Peru, o brasileiro Jorge Barata, afirmou que entregou US$ 3 milhões para a ex-prefeita. 

"Jorge Barata garantiu que a então prefeita lhe agradeceu pela contribuição", acrescentou a procuradora ao juiz Chávez.

O dinheiro da Odebrecht e da OAS "não foi de graça, mas em razão de duas obras" públicas, afirmou a procuradora.

Pronta

Ativista de esquerda e católica, Villarán admitiu ter recebido dinheiro de campanha das empresas brasileiras. A ex-prefeita declarou que estava pronta para ser presa. 

"Não sou do tipo de pessoa que foge, que evade a Justiça. Sou uma pessoa que dá a cara. Tenho uma família a quem respondo com a verdade, dando a cara, acredito na Justiça, nunca vou fugir da Justiça", disse em audiência. 

Villarán foi prefeita de Lima em 2010-2014 e a procuradoria a acusa de associação ilícita, suborno e lavagem de ativos. / AFP 

 

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