EFE/Andrés Valle/Presidencia del Peru
EFE/Andrés Valle/Presidencia del Peru

Ex-prefeito de Caracas pede que América Latina imponha sanções à Venezuela

Antonio Ledezma afirma que punições seriam 'forma efetiva de demonstrar solidariedade' aos venezuelanos; opositor também acusa Nicolás Maduro de crimes contra a humanidade e diz que bolivariano não deveria participar da Cúpula das América, em Lima

O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2018 | 11h29

LIMA - O ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma pediu que os países da América Latina adotem sanções contra a Venezuela, tal como fizeram a União Europeia (UE) e os Estados Unidos.

Perseguição de Maduro dificulta campanha de rivais

"Não se trata de mensagens de compaixão. Trata-se de solidariedade efetiva. Vou pedir ao presidente (do Peru, Pedro Pablo) Kuczynski que a América Latina aplique sanções", disse Ledezma à rádio RPP na quinta-feira, 25, pouco antes de um encontro com o mandatário peruano.

O político opositor venezuelano, que em novembro escapou da prisão domiciliar que cumpria em Caracas, disse estar em Lima "em busca de apoio e da solidariedade das autoridades peruanas". Depois do encontro com o presidente, ele se reuniria com congressistas e líderes políticos no país.

Na segunda-feira a UE impôs sanções contra sete funcionários do alto escalão do governo venezuelano, incluindo Diosdado Cabello, o nº 2 do chavismo, por "ameaçar a democracia e o estado de direito", "graves violações dos direitos humanos" e por reduzir as funções do Parlamento, de maioria opositora.

Unicef denuncia ‘claros sinais’ de elevada desnutrição entre crianças na Venezuela

Desde o ano passado, os EUA estabeleceram sanções contra Maduro e vários de seus funcionários, além de proibirem cidadãos americanos de negociarem títulos da dívida emitidos pelo governo da Venezuela ou por sua estatal petroleira PDVSA.

Ledezma, que nesta sexta-feira, 26, receberá a Medalha de Honra do Parlamento peruano por sua trajetória política, também disse que Maduro não deveria comparecer à Cúpula das Américas, marcada para os dias 13 e 14 de abril na capital peruana.

Acusações

"Não entendo o que vem a fazer na Cúpula das Américas um genocida como Nicolás Maduro, que, além disso, está acusado de crimes contra a humanidade atualmente no TPI da Haia. Já há um expediente muito bem documentado apresentado pela procuradora Luisa Ortega", declarou, se referindo à ex-procuradora-geral do país, destituída em agosto pelo chavismo.

O opositor venezuelano afirmou ainda que no dia 15 de janeiro o ex-policial rebelde Óscar Pérez foi vítima de um assassinato extrajudicial que constitui um crime de lesa-humanidade. "A Venezuela faz parte do Estatuto de Roma. Este caso de justiça extrajudicial foi transmitido ao vivo. Gente rendida, por ordens de Nicolás Maduro, foi fuzilada. Isso se encaixa no artigo 8 de crimes de guerra", argumentou.

Maduro pede que trabalhadores 'se comprometam por escrito' a votar nele

O ex-prefeito de Caracas assegurou também que na Venezuela opera uma "máfia" que deixca seu país sob o jugo de grupos de narcotraficantes. "Segundo o escritório de Viena das Nações Unidas, fica claro que 60% da cocaína que chega à Europa provém da Venezuela", comentou.

A Venezuela, que atravessa uma profunda crise política e econômica, adiantou nesta semana a eleição presidencial para antes de 30 de abril. Além disso, o Tribunal Supremo de Justiça do país proibiu que a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) indique um candidato para a votação, obrigado os opositores a disputarem fragmentados o Palácio de Miraflores. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.