Facundo Arrizabalaga|EFE
Facundo Arrizabalaga|EFE

Ex-prefeito de Londres e direita radical saem fortalecidos do Brexit

Boris Johnson é cotado para substituir Cameron como primeiro-ministro e Nigel Farage, do Ukip, amplia capital político

O Estado de S. Paulo

25 Junho 2016 | 05h00

LONDRES - Boris Johnson, o extravagante ex-prefeito londrino, não é conhecido pela modéstia, nem pela moderação. Mas foi assim que ele se comportou após a vitória no referendo sobre a saída da Reino Unido da União Europeia. Agora, ele se tornou o favorito para substituir David Cameron como primeiro-ministro britânico. 

Johnson homenageou Cameron, que liderou a campanha pela permanência no bloco europeu, e anunciou que deixará o cargo em outubro, após a derrota histórica na votação de quinta-feira. Em entrevista ao lado de outros líderes da campanha pelo Brexit, ele evitou falar da possibilidade de substituir Cameron como premiê.

“Acredito que o eleitorado procurou as respostas mais honestas”, disse Johnson. “Isso não significa que o Reino Unido será mais ou menos europeu. Não podemos virar as costas à Europa. Somos parte dela.”

Conhecido pelo seu cabelo loiro desgrenhado, o senso de humor e modos extravagantes, Johnson ganhou popularidade no país durante seus oito anos à frente da prefeitura londrina. Nascido em Nova York, ele se tornou membro do Parlamento no ano passado.

Antes da votação do Brexit, ele dizia que o referendo era mais importante que seu futuro político. O fato de ele e Cameron - dois líderes do Partido Conservador - terem escolhidos lados opostos no Brexit mudou isso. 

Ao derrotar o trabalhista Ken Livingstone, em 2008, Johnson obteve a primeira vitória importante dos conservadores desde a chegada de Tony Blair ao poder, em 1997. Sua reeleição, em 2012, aumentou seu capital político. Bem avaliado, deixou a prefeitura para entrar no Parlamento. Desde o ano passado, ganhou o status de “ministro sem pasta” no gabinete de Cameron. 

Apesar da força política, o fato de não participar efetivamente do governo lhe deu abertura para divergir de Cameron em algumas políticas, especialmente a permanência na UE.

Entre as principais críticas endereçadas a ele, está o abuso de declarações polêmicas. Em 2006, ele acusou os moradores da cidade de serem “drogados e gordos que não gostam de trabalhar” e disse que os habitantes da Papua Nova Guiné são “canibais”. 

Extremismos. Líder do partido de extrema direita Ukip, Nigel Farage é o principal porta-voz do movimento antieuropeu na Grã-Bretanha. Ele criou a legenda em 1999, com o propósito específico de tirar o país da União Europeia. “Foi uma grande jornada”, disse ele ontem após a vitória do Brexit. “Agora, 17 milhões de pessoas votaram com a gente. É a vitória das pessoas comuns contra os bancos, empresários e políticos.”

Um dos principais entusiastas da saída britânica da UE, Farage proclamou a queda do bloco europeu. “A UE está desmoronando. Está morrendo. Espero que tenhamos tirado o primeiro tijolo do muro. É o primeiro passo”, afirmou o político, conhecido por suas posições anti-imigração.

Farage comemorou ainda o fato de sua vitória ter sido alcançada “sem nenhuma bala ter sido disparada”, o que lhe rendeu críticas. A deputada trabalhista Jo Cox foi morta nesta semana por um ativista anti-imigração.

A vitória do Brexit no referendo é o ápice da carreira de Farage. Membro do Parlamento europeu desde 1999, ele dizia que tentava “destruir o sistema por dentro” e é conhecido por ataques pessoais a líderes da UE, como o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy.

Ao longo dos anos, a atuação do Ukip era considerada marginal e extremista. Então líder da oposição conservadora, Cameron chegou a se referir à legenda, em 2006, como “um bando de lunáticos racistas”. 

“O que as pessoas mais ricas não entendem é o efeito que a imigração em massa provocada pela UE teve nos salários e no sistema de saúde das pessoas trabalhadoras”, disse Farage.

A campanha do Brexit explorou o sentimento anti-imigração de parte da população britânica, com premissas de que, fora da UE, a população pagaria menos impostos e teria melhor uso do NHS, o sistema público de saúde do país - algo contestado por especialistas em políticas públicas. / NYT e REUTERS


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