Ex-premiê ameaça deixar coalizão do governo paquistanês

Sharif exige que juízes afastados por ex-presidente sejam restituídos; aliados temem retorno de acusações

Jane Perlez, The New York Times

19 de agosto de 2008 | 15h01

Um dia depois da triunfante renúncia do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, a tensão entre os partidos que formam a coalizão governista tornaram-se mais aparentes com o impasse sobre a restituição dos 60 juízes demitidos por Musharraf para garantir sua reeleição, no fim do ano passado. No encontro entre os líderes das duas legendas para discutir sobre a substituição do presidente, o ex-premiê Nawaz Sharif ameaçou deixar a aliança se os magistrados não forem reempossados nas próximas 24 horas, segundo a emissora de TV Dawn.   Veja também: Explosão em hospital deixa 23 mortos no Paquistão nesta terça   Os juízes foram afastados quando Musharraf impôs o estado de emergência no país, mas a restituição conta com a resistência de Asif Ali Zardari, líder da maioria no Parlamento paquistanês, o Partido Popular do Paquistão (PPP), e viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, morta em um atentado durante a campanha eleitoral em dezembro.   A questão dos juízes - incluindo a reinstalação do presidente da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry -, tornou-se ponto principal de polêmica entre as duas maiores frentes da coalizão durante a busca de um nome para suceder Musharraf na Presidência.   O conflito sobre quem será o próximo presidente do Paquistão pode ser prolongada, já que Zardari e Sharif - que é líder da Liga Muçulmana do Paquistão Nawaz (PML-N, na sigla em inglês) -, possuem diferenças e tiveram muitos conflitos no passado. Os dois discordaram firmemente sobre a posse dos juízes, particularmente Chaudhry, o que tem ameaçado a coalizão nos últimos dez dias.   Zardari está relutante em reinstalar os juízes, mas há dez dias assinou um acordo com Sharif para restaurar os cargos dos magistrados em até 72 horas após a saída de Musharraf. Isso porque, junto com burocratas e políticos, o viúvo de Benazir foi beneficiado com a retirada das acusações de corrupção que Musharraf aceitou para permitir o retorno de Zardari do exílio depois da morte de sua mulher, Benazir. Zardari foi alertado que o presidente da Suprema Corte poderia revogar a anistia se for reempossado.   Além disso, o viúvo de Benazir também almeja a Presidência. Mas um acordo com Sharif para chegar ao cargo ainda é uma dúvida, segundo políticos. O próximo presidente deve ser escolhido pela Assembléia Nacional e pelas quatro assembléias provinciais nos próximos 30 dias da saída de Musharraf. Entre os nomes considerados para a Presidência está a presidente do Parlamento, Fehmida Mirza, que vem da base política do partido de Benazir, ou Aftab Shaaban Mirani, ex-ministro da Defesa e também membro do PPP.

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