Ex-premiê anuncia retorno ao Paquistão após exílio

Nawaz Sharif quer confrontar planos do presidente Musharraf de estender sua permanência no poder

Associated Press e Agência Estado,

30 de agosto de 2007 | 14h37

O ex-premiê paquistanês exilado no Reino Unido, Nawaz Sharif, disse nesta quinta-feira, 30, que irá retornar ao seu país no dia 10 de setembro para confrontar os planos do presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, de estender sua permanência no poder.   Veja também: Musharraf recusa ultimato para deixar Forças Armadas   Sharif disse a repórteres em Londres que retornará à capital paquistanesa, Islamabad, antes do início do mês sagrado muçulmano de Ramadã e seguirá para sua base eleitoral no leste do país. "Vamos chegar a Islamabad em 10 de setembro e seguiremos por terra para Lahore", afirmou.   O anúncio foi feito um dia depois que Benazir Bhutto, outra exilada primeira-ministra e rival de Sharif, ter dito que estava prestes a fechar um acordo com Musharraf para compartilharem o poder.   Bhutto afirmou que Musharraf havia concordado em deixar o comando das Forças Armadas, pondo fim a oito anos de regime militar que teve início quando o general derrubou Sharif num golpe palaciano. O presidente teria aceitado o acordo em troca do apoio do partido da ex-premiê nas próximas eleições, previstas para novembro.   A Suprema Corte julgou na semana passada que o secularista conservador Sharif, exilado desde 2000 e que atualmente está no Reino Unido, e seu irmão podiam retornar ao Paquistão. Entretanto, autoridades do governo afirmam que Sharif, que considera o atual presidente paquistanês um ditador, pode ser preso se retornar ao país por conta das acusações do golpe palaciano de 1999, que o tirou do poder.   Musharraf prometia que nunca mais permitiria a entrada tanto de Bhutto como de Sharif no Paquistão, acusando-os pela corrupção e problemas econômicos que levaram o país quase à falência na década de 1990, quando os dois assumiram duas vezes cada a chefia do governo.   Mas com o apoio a Musharraf desmoronando no país, seus aliados o têm encorajado a fazer uma aliança com Bhutto e seu moderado Partido Popular do Paquistão para que ele possa ser reeleito como um forte presidente civil apoiado por um Parlamento amistoso - evitando a repetição do caos instaurado na década de 1990, quando Bhutto e Sharif se digladiavam pelo poder. O presidente no Paquistão é eleito pelo Parlamento e a próxima votação deverá ocorrer em setembro ou outubro.   Mas a volta de Sharif colocaria em risco as chances de reeleição de Musharraf. Seu partido, Liga Muçulmana, e seus aliados dominam todas menos uma assembléias do país, tornando bastante provável a eleição de Sharif para primeiro-ministro e abrindo caminho para ele desafiar a autoridade constitucional de Musharraf nos tribunais.   Sharif e Bhutto haviam se reconciliado no exterior para lutar pela redemocratização do Paquistão. Mas a amizade teve fim quando Bhutto passou a dialogar com Musharraf.   Os Estados Unidos, que tem em Musharraf um aliado-chave em sua guerra contra o terrorismo, afirmam que querem apenas que as eleições sejam limpas e justas.

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