Ex-premiê bilionário usa império midiático para se promover

Dono das maiores redes de comunicação da Itália, Silvio Berlusconi é um personagem constante em suas emissoras de TV

Jamil Chade, Enviado Especial / Roma,

27 de novembro de 2013 | 23h16

ROMA - Em bares, restaurantes ou qualquer lugar onde houvesse uma televisão ligada, a conversa e o serviço dos garçons eram interrompidos nos últimos dias quando Silvio Berlusconi aparecia. E não foram poucas vezes.

Afinal, trata-se do dono das maiores redes de comunicação do país e um dos políticos europeus que mais habilmente usaram a mídia para se promover. Imediatamente, abria-se uma discussão espontânea, nem sempre amistosa, sobre o futuro da Itália.

Num país marcado por sua tradição de óperas e dramas, a queda de Berlusconi foi vivida diariamente como uma verdadeira tragédia, com diferentes grupos escolhendo quem eram as vítimas e quem eram os criminosos.

A reportagem do Estado passou os últimos dez dias na capital italiana e pôde constatar que, a cada discurso "oficial" de Berlusconi, o clima era de Copa do Mundo.

Apesar de sua derrota política, talvez definitiva, seu apelo popular não está esgotado. Nas últimas eleições, ele recebeu 9,9 milhões de votos.

No Parlamento, apesar de deputados e senadores tentarem manter suas agendas e seus assuntos, todos admitiam que apenas poderiam começar a trabalhar depois que o caso de Berlusconi estivesse definido.

Numa entrevista coletiva do início da semana, concedida por Enrico Letta, primeiro-ministro italiano, a simples constatação de que o chefe do governo não falaria sobre Berlusconi fez a sala esvaziar.

"O imperador da política italiana caiu", declarou a brasileira Renata Bueno, deputada no Parlamento italiano - que destina algumas cadeiras à representação dos cidadãos no exterior. "É a moralização da política e espero que essa queda seja agora definitiva", completou.

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