AP Photo/Efrem Lukatsky
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Ex-premiê Cameron fala em novo plebiscito para o Brexit 

Ex-primeiro-ministro britânico não esconde arrependimento de ter viabilizado o Brexit, assegurando que pensa no assunto 'todos os dias'

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2019 | 06h30

LONDRES - David Cameron foi o primeiro-ministro do Reino Unido responsável pela abertura do plebiscito que definiria a saída da União Europeia. Em 2016, era difícil acreditar que os britânicos votariam em maioria a favor do Brexit, o que foi definido com 52% dos votos. 

O próprio Cameron defendia que a saída não seria uma solução para as questões do bloco, mas prometeu a convocação da votação caso fosse reeleito, em 2015. Ele esperava que o resultado o fortalecesse, mas o levou à renúncia. “Convocamos o plebiscito e, claro, o resultado não foi o que eu esperava”, disse o político na época. 

Após a queda de sua sucessora, Theresa May, e a crise política no qual se encontra o atual premiê, Boris Johnson, Cameron apresentou novos argumentos. Ontem, em entrevista concedida ao jornal britânico The Times, o pai do Brexit afirmou que não se pode descartar a opção de um novo plebiscito, a fim de “desbloquear” o processo de saída da UE.

 

“Não digo que haverá um, nem que deva haver um, somente que não podemos descartar as coisas de imediato, porque há de se encontrar alguma maneira de desbloquear esse impasse”, defendeu o ex-premiê conservador. 

Cameron ainda criticou a estratégia tomada por Johnson de estender o recesso parlamentar para que os deputados não possam interferir no processo e impor um acordo ao Brexit, o que culminou na perda da maioria por Johnson e na aprovação da lei que proíbe uma ruptura sem acordo. 

“Há certas coisas que não se deveria fazer para solucionar o impasse”, disse. “Creio que prorrogar o recesso do Parlamento, ou fingir que ele não existe, é algo ruim.” 

Perdão

O ex-premiê britânico não escondeu seu arrependimento de ter viabilizado o Brexit, assegurando que pensa no assunto “todos os dias”. Ele admite também que há pessoas que nunca o “perdoarão” por “haver convocado e perdido” o plebiscito. Cameron revelou que telefonou para outros líderes europeus e para o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para pedir “perdão” pela aprovação do Brexit. 

Atualmente, o Brexit virou uma queda de braço entre Johnson e a oposição. Aparentemente, o atual premiê pretende ceder e permitir uma abertura na fronteira das Irlandas para conseguir um acordo com a União Europeia. / EFE 

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