Ex-premiê da Ucrânia aceita ser tratada em hospital

Um médico alemão que viajou à Ucrânia para examinar a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko disse nesta sexta-feira que ela concordou em tratar o problema que tem na coluna em um hospital local. O doutor Karl Max Einhaeupl disse que o tratamento da hérnia de disco de Yulia começará na terça-feira em um hospital na cidade de Kharkov, no leste ucraniano, perto de onde a ex-premiê cumpre pena de prisão.

AE, Agência Estado

04 Maio 2012 | 16h16

Yulia Tymoshneko, de 51 anos, também faz uma greve de fome em protesto contra supostos maus tratos que sofreu na prisão. Ela foi condenada no ano passado a sete anos de prisão por abuso de autoridade e corrupção quando era premiê, em 2009. Ela teria assinado acordos para a compra do gás natural da Rússia que foram desvantajosos à Ucrânia, acusou o governo ucraniano. A ex-premiê afirma que sofre uma perseguição política desencadeada pelo presidente Viktor Yanukovich, seu rival.

O assessor da ex-premiê, Alexander Turchinov, disse nesta sexta-feira que a saúde dela está em perigo. "Ela está em greve de fome há quinze dias", ele disse. "A vida de Yulia corre um perigo verdadeiro". O advogado de Tymoshenko, Serhiy Vlasenko, disse que a ex-premiê visivelmente perdeu peso, está bebendo apenas água e passa a maior parte do tempo em um leito. Na semana passada, Tymoshenko denunciou que sofreu um espancamento na prisão e mostrou feridas no corpo. Nesta sexta-feira, contudo, a Justiça ucraniana disse que não existem elementos para afirmar que isso seja verdadeiro.

"Nós não descartamos que ela mesma tenha provocado as feridas em si própria. Não podemos fazer nenhuma conclusão sem um exame forense, o qual ela não consentiu que fosse feito", disse o promotor ucraniano Viktor Pshonka.

Einhaeupl, que é diretor da clínica Charite, de Berlim, foi acompanhado por médicos ucranianos durante o exame feito nesta sexta-feira. Tymoshenko sofre de sérios problemas de coluna.

A ex-primeira-ministra não recebeu permissão para ver seu advogado nesta sexta-feira "em razão da visita de uma comissão internacional envolvendo médicos alemães e ucranianos", disse o serviço prisional.

A Alemanha tem feito repetidas ofertas de tratamento para Tymoshenko, mas a Ucrânia recusou, citando a legislação processual penal. Um porta-voz do ministério alemão das Relações Exteriores procurou minimizar as esperanças para uma resolução rápida para o destino de Tymoshenko.

"Nós estamos fazendo intensos esforços para encontrar uma solução com autoridades ucranianas sobre o caso Tymoshenko para que ela receba tratamento apropriado", disse Andreas Peschke aos jornalistas. Einhaeupl, que examinou Tymoshenko em fevereiro e abril, pediu à Ucrânia nesta sexta-feira que permita que ela seja tratada no exterior e afirmou que o hospital da Universidade de Berlim está pronto para recebê-la.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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