Ex-premiê de Portugal passa primeira noite na prisão

Prisão preventiva foi a medida mais grave que poderia ser adotada no caso; José Sócrates é suspeito de crimes de corrupção 

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 17h51

LISBOA - O ex-primeiro-ministro português José Sócrates passou a primeira noite preso na segunda-feira. A prisão preventiva decretada pelo juiz Carlos Alexandre é a medida cautelar mais grave que poderia ser adotada no caso.

O ex-secretário-geral do Partido Socialista português foi oficialmente acusado de fraude fiscal qualificada, lavagem de capitais e corrupção. O interrogatório de Sócrates acabou por volta de 12 horas da segunda-feira, mas a decisão do juiz só foi revelada no final do dia.

Seu advogado, João Araújo, qualificou a decisão de "injusta e injustificada", e confirmou que apresentará um recurso.

Sócrates, chefe do governo de Portugal entre 2005 e 2011, dormiu em uma carceragem na sede da Polícia Judiciária, no centro de Lisboa, segundo a imprensa local. Ele pode ser levado ainda nesta terça-feira, 25, para a prisão de Évora, destinada a policiais e agentes da ordem.

Além de Sócrates, tiveram prisão provisória decretada o empresário Carlos Santos Silva e o motorista João Perna, também denunciado na chamada "Operação Marquês". O advogado Gonçalo Mendes é o único dos envolvidos que permanece em liberdade, embora não possa deixar o país e deva se apresentar à justiça duas vezes por semana.

Oficialmente, só foi divulgado que a investigação tem relação com "operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificativa".

A prisão de Sócrates representa um marco para Portugal, que nunca tinha visto em sua democracia um ex-primeiro-ministro ser preso. O ex-governante foi detido na sexta-feira no aeroporto de Lisboa, logo após chegar de Paris. Ele foi interrogado durante três dias por Carlos Alexandre, famoso no país por julgar casos importantes.

A imprensa portuguesa atribui ao ex-primeiro-ministro uma elevada fortuna, de cerca de 20 milhões de euros, em uma conta no nome do empresário Carlos Santos Silva, amigo de Sócrates. Especula-se ainda que Sócrates tenha transferido dinheiro de Lisboa a Paris auxiliado por seu motorista. /EFE

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