Ex-premiê decide não recorrer de impugnação no Paquistão

Comissão Eleitoral recusa inscrição por acusações contra o ex-primeiro-ministro deposto por Musharraf em 1999

Efe,

04 de dezembro de 2007 | 10h12

O ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif disse nesta terça-feira, 4, que não pensa em recorrer da decisão da Comissão Eleitoral de rejeitar sua candidatura para as próximas eleições legislativas, previstas para janeiro de 2008.   A candidatura de Sharif foi rejeitada nesta segunda-feira porque, segundo o responsável da Comissão Eleitoral Raja Qamaruz Zaman, há uma condenação judicial contra ele. Sharif foi condenado em 2000 à prisão perpétua por ter ordenado em outubro de 1999, quando era primeiro-ministro, o seqüestro do avião onde viajava o então chefe do Estado-Maior e hoje presidente, Pervez Musharraf, que retornava de uma visita oficial ao Sri Lanka.   Musharraf conseguiu que o avião aterrissasse e deu um golpe de Estado contra Sharif, que no ano seguinte chegou a um acordo com o presidente que o permitiu se livrar da condenação e representou sua ida ao exílio.   "Não apresentarei recurso contra a rejeição dos meus papéis, porque os juízes que devem decidir os recursos são leais a um indivíduo, não à Constituição e à lei", disse Sharif durante uma conferência diante dos advogados do distrito de Haripur, próximo a Islamabad.   Segundo o canal de televisão paquistanês Geo TV, o líder da opositora Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N) pediu novamente ao governo o fim do Estado de exceção e a restauração do Poder Judiciário anterior.O opositor lembrou nesta segunda-feira que sua condenação foi comutada quando aceitou deixar o Paquistão, em 2000.   Após seu retorno ao país em 25 de novembro, Sharif se reuniu nesta segunda-feira com a dirigente do opositor Partido Popular do Paquistão, Benazir Bhutto, com quem decidiu apresentar uma carta de pedidos comum ao governo. "Se o governo aceitar nossas reivindicações, todos os partidos da oposição participarão das eleições. Mas, caso contrário, recorrerão ao boicote", disseram em entrevista coletiva conjunta.   O conteúdo da carta será elaborado nestes dias por um comitê formado por membros das principais formações de oposição. Embora Bhutto tenha manifestado que um possível boicote só beneficiará os partidários de Musharraf, a dirigente concordou com Sharif em que é preciso garantir que as eleições sejam livres e transparentes.   No entanto, Bhutto lembrou também que o regime já aceitou fixar as eleições para 8 de janeiro e determinar uma data para o fim do Estado de exceção, assim como o afastamento de Musharraf como chefe do Exército, exigências da oposição.   Os dirigentes opositores denunciaram ainda que o ex-presidente do Tribunal Supremo Iftikhar Chaudhry continua preso e se mantêm vigentes várias normas restritivas para o trabalho dos meios de comunicação.

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