Ex-premiê deixa coalizão de governo no Paquistão

Saída aumenta incerteza no país, em meio a ameaças de grupos radicais; Sharif anuncia candidato presidencial

Agências internacionais,

25 de agosto de 2008 | 11h03

O ex-primeiro-ministro do Paquistão Nawaz Sharif afirmou nesta segunda-feira, 25, que seu partido, PML-N, decidiu abandonar a coalizão governamental paquistanesa, liderada pelo Partido Popular do Paquistão (PPP), e também anunciou candidato da formação às presidenciais de 6 de setembro.  Em entrevista coletiva em Islamabad, Sharif explicou que sua formação se viu "obrigada" a sair do Executivo após o descumprimento de compromissos por parte do PPP, formação da falecida Benazir Bhutto. "Tentamos tudo o possível para salvar a coalizão, para que a democracia florescesse no país, mas todos os esforços falharam", disse Sharif, que acrescentou que a PML-N desempenhará um "papel construtivo na oposição". Sharif acusou o líder do PPP e viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, de ter descumprido seu compromisso de restaurar os juízes do Tribunal Supremo "imediatamente" depois da saída do poder do ex-presidente Pervez Musharraf, que renunciou há uma semana. Segundo a BBC, Sharif estava envolvido nas discussões com o maior partido paquistanês, o PPP (Partido do Povo do Paquistão), para chegar a um acordo em torno do sucessor de Pervez Musharraf da Presidência do país, na semana passada. Os dois partidos também discordam sobre a questão do retorno ao cargo dos juízes que haviam sido afastados no ano passado por Musharraf.  O Parlamento paquistanês vai escolher o sucessor de Musharraf, que deixou o cargo para evitar um processo de impeachment, no dia 6 de setembro. No sábado, o PPP indicou o viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, Asif Ali Zardari, como seu candidato à Presidência. A saída do PML-N da coalizão aumenta a incerteza sobre o futuro do Paquistão, em meio a uma crise econômica e à crescente ameaça de atentados promovido O ex-primeiro-ministro anunciou também que sua formação proporá como candidato presidencial o ex-chefe do Tribunal Supremo Saeeduzzaman Siddiqui, que disputará o cargo com Zardari na votação que acontecerá em 6 de setembro. Sharif disse que tinha definido com Zardari nomear um candidato à chefia do Estado "não partidário" e pactuado pelas forças da coalizão governamental paquistanesa.

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