Akira Suemori/AP
Akira Suemori/AP

Ex-premiê foi grampeado por tabloide britânico

Informações sigilosas sobre Gordon Brown foram obtidas de modo ilegal por jornais que pertencem ao magnata Rupert Murdoch

, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2011 | 00h00

LONDRES

Os jornais britânicos Guardian e Independent informaram ontem que jornalistas da News Corp., empresa do magnata Rupert Murdoch, fizeram várias tentativas de grampear o telefone de Gordon Brown quando ele era ministro das Finanças e primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

O Independent afirmou que detetives particulares que trabalhavam para o tabloide News of the World "grampearam" a caixa postal de Brown e tiveram acesso a extratos bancários, a seu histórico na Justiça e a exames clínicos de alguns parentes.

Todas as informações obtidas pelo News of the World teriam sido repassadas a outro jornal do grupo. O Independent não divulgou o nome do jornal, mas a BBC e o Guardian garantiram que o Sunday Times teve acesso às informações e também grampeou o telefone de Brown depois de ter obtido os dados sobre a conta dele.

É a primeira vez desde o início do escândalo do News of the World que se acusa outro jornal de Murdoch, cujo conglomerado, o News Corp., possui também o sensacionalista The Sun e o tradicional The Times.

De acordo com o Guardian, o prontuário médico de Fraser Brown, filho caçula do ex-premiê, teria sido obtido pelo tabloide The Sun. Em 2006, o jornal revelou que o menino sofria de fibrose cística. Além disso, informações médicas sobre a filha mais velha do líder britânico, Jennifer, também teriam sido obtidas ilegalmente.

Pouco antes de ela morrer de hemorragia cerebral, em 2002, a notícia ganhou as manchetes dos tabloides. Brown sempre desconfiou que a doença da filha tivesse sido vazada para jornalistas de forma ilegal.

Brown esteve à frente do governo entre 2007 e 2010. Ele também foi ministro das Finanças de Tony Blair de 1997 a 2007. Segundo o Guardian, há evidências de que o ex-premiê foi alvo de escutas durante mais de dez anos.

O ex-premiê ainda não fez nenhuma declaração sobre o caso, mas Nicola Burdett, porta-voz de Brown, disse que a família está "chocada com o nível de criminalidade e os meios antiéticos pelos quais detalhes pessoais foram obtidos". "Gordon Brown já foi informado da escala da intrusão na sua vida familiar", disse Nicola em nota.

Segundo ela, "a polícia já confirmou que Brown está na lista de Glen Mulcaire", uma referência ao detetive particular que está no centro do escândalo.

Pelo Twitter, a mulher do ex-premiê britânico, Sarah Brown, também manifestou indignação com o caso. "Estou triste demais ao saber tudo o que eu soube a respeito da privacidade da minha família. É muito pessoal e realmente nocivo se for tudo verdade."

O escândalo das escutas ilegais fez com que Murdoch anunciasse, na semana passada, o fechamento do News of the World, fundado em 1843 e um dos mais vendidos do país. Nos últimos anos, o tabloide teria grampeado 4 mil pessoas - entre elas celebridades, políticos, membros da família real, vítimas de crimes e até parentes de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e do Iraque.

Investigadores. Segundo o New York Times, logo após o início das investigações sobre as escutas ilegais, em 2006, cinco investigadores da polícia descobriram que seus celulares também tinham sido grampeados. A revelação, feita por meio de entrevistas com pessoas que têm conhecimento do caso, deu ao News of the World a oportunidade de chantagear os agentes - mais tarde, detalhes da vida privada de dois deles foram de fato publicados. "É uma acusação séria. Se for verdade, tem de ser investigada", disse John Whittingdale, presidente do comitê parlamentar que apura o escândalo. / AP e REUTERS

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