Ex-premiê nega que Paquistão retirou acusações de corrupção

Em entrevista para a BBC, Benazir Bhutto afirma que governo de Musharraf não fez concessões

Efe e Associated Press,

03 de outubro de 2007 | 11h57

A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto negou nesta quarta-feira, 3, que o governo do presidente Pervez Musharraf tenha retirado as acusações de corrupção contra ela. A exilada disse ainda que tudo não passa de uma campanha de "desinformação". Procurando aliviar as tensões que tomam conta do país antes da votação do fim de semana, o governo de Musharraf anunciou na terça-feira que havia retirado as acusações de corrupção contra a ex-primeira-ministra.  "São totalmente erradas as notícias de que foram suspensas as acusações de corrupção", disse Benazir em declarações divulgadas pela BBC antes de uma reunião de sua legenda, o Partido Popular do Paquistão (PPP), em Londres.  No final de julho, Bhutto e Musharraf se reuniram em Abu Dhabi para negociar um acordo de divisão de poder, mas ambas as partes deram as conversas por fracassadas. A ex-premiê exigia que Musharraf abandonasse a chefia do Exército para continuar na Presidência. A líder opositora também pedia que fossem retirados os casos de corrupção que pesavam sobre ela e emendar a Constituição, para poder se transformar em primeira-ministra pela terceira vez. A decisão do governo teria sido implementada com a condição de que os deputados do partido de Benazir, Partido Popular do Paquistão (PPP), não aderissem ao boicote feito no Parlamento do país contra a reeleição de Musharraf. Na terça, 85 dos 342 deputados renunciaram ao cargo na tentativa de negar legitimidade ao presidente. Além dos integrantes do Parlamento, outros representantes opositores de diversas assembléias provinciais do país também deixaram seus cargos. "Esta é uma típica campanha de desinformação do atual regime", liderado pelo general Pervez Musharraf, acrescentou. "Quanto mais tempo o regime militar continuar assim, a situação se torna mais anárquica", ressaltou a ex-primeira-ministra, que negou as acusações de corrupção e viveu no exterior antes de Musharraf chegar ao poder, em 1999.

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