Ex-premiê paquistanesa confirma retorno após exílio

Governo afirma que Benazir Bhutto permanecerá no país se enfrentar denúncias de corrupção

Associated Press e Reuters,

14 de setembro de 2007 | 09h20

O partido da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto anunciou nesta sexta-feira, 14, que a política exilada retornará ao país no dia 18 de outubro.  O governo do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, declarou que Benazir é livre para regressar ao país, desde que enfrente as denúncias de corrupção às quais é acusada. Makhdoom Amin Fahim, vice-presidente do Partido do Povo do Paquistão, anunciou a data durante uma entrevista coletiva. Segundo ele, Benazir Bhutto entrará no país em um avião que pousará em Karachi, capital da região em que ela nasceu. Ele pediu aos simpatizantes e eleitores que a recebam. Simpatizantes de Benazir celebraram o anúncio entoando palavras de ordem, espalhando pétalas de rosa e estourando rojões. A ex-primeira-ministra retornará independentemente do resultado das negociações com o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, disse Fahim. As partes buscam um acordo de partilha de poder para depois das eleições no país. Benazir quer a saída de Musharraf da chefia do Exército para que ele mantenha a candidatura à reeleição como presidente. Pelo acordo em negociação, a ex-primeira-ministra retornaria ao cargo que ocupava antes de exilar-se. "Nós decidimos que ela retornará independentemente de haver ou não negociações", disse o senador Babar Awan, outro líder do Partido Popular do Paquistão. "Este é o momento no qual a nação paquistanesa tem de se redefinir. Agora é a hora de lutar." As portas para as negociações, no entanto, continuarão abertas, afirmou Fahim. "Em política, você nunca deve fechar as portas para as negociações", comentou. Eleições O retorno foi marcado para depois das datas nas quais espera-se que Musharraf busque a renovação de seu mandato presidencial no Parlamento, o que deve acontecer entre 15 de setembro e 15 de outubro. Depois do pleito presidencial, o Paquistão deverá passar por eleições gerais em janeiro de 2008. Benazir tem a intenção de tornar-se primeira-ministra do Paquistão pela terceira vez em sua carreira política. "O povo do Paquistão terá democracia de verdade" depois que Benazir Bhutto retornar, declarou Fahim diante de um imenso painel com um retrato da líder. Com a queda em sua popularidade e o aumento dos desafios para seu governo, Musharraf precisa do apoio dos partidários de Benazir para ampliar sua base. A exilada insiste em um acordo que garanta a imunidade das acusações contra si e outros que estiveram no governo no fim dos anos 1980 e na década de 1990. Nawaz Sharif Embora o governo afirme que não retirará as acusações contra Benazir, um porta-voz paquistanês assegurou que ela não será deportada caso retorne ao Paquistão, ao contrário do que aconteceu com o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que voltou do exílio na segunda-feira para ser expulso do país apenas algumas horas depois. A decisão de expulsar Sharif alimentou entre analistas a percepção de que Musharraf estaria disposto a adotar medidas autoritárias com o objetivo de perpetuar-se no poder em um momento no qual está com a popularidade em queda e combate militantes islâmicos radicados na remota região de fronteira com o Afeganistão. Numa entrevista concedida nesta sexta-feira, o vice-ministro de Informação do Paquistão, Tariq Azim, diferenciou as situações envolvendo Nawaz Sharif e Benazir Bhutto. "O caso de Nawaz Sharif é diferente. Ele foi enviado de volta à Arábia Saudita por causa de um compromisso assumido por ele com o governo saudita. Ela (Benazir Bhutto) sempre esteve autorizada a voltar", assegurou. Ritmo lento Quanto à possibilidade de acordo, ele comentou que as negociações entre Benazir e Musharraf seguem um ritmo mais lento do que o esperado, mas "é do interesse nacional que haja um acordo entre os dois líderes". A oposição a Musharraf pede a Benazir que não faça acordo político com o líder militar paquistanês. Também há manifestações de descontentamento entre simpatizantes de Benazir. "Ficamos contentes por seu retorno, mas deixe-me dizer que será um insulto à democracia se ela fizer um acordo de partilha de poder com o homem que derrubou o governo eleito de Nawaz Sharif e provocou danos irreparáveis às instituições democráticas", do Paquistão, disse Sadiq ul-Farooq, um destacado líder do partido de Sharif. Apesar do risco de descontentar o público paquistanês, uma eventual aliança entre Benazir e Musharraf é vista com bons olhos pelos Estados Unidos e por outras potências ocidentais interessadas no combate aos militantes islâmicos radicados no Paquistão.

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