Ex-premiê português, é detido sob suspeita de corrupção

O ex-primeiro-ministro português José Sócrates foi detido pela polícia durante uma investigação de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal, informou o escritório da Promotoria Geral de Portugal neste sábado.

Estadão Conteúdo

22 Novembro 2014 | 09h48

Sócrates, que foi primeiro-ministro de Portugal de 2005 a 2011, foi detido na noite de sexta-feira com outras três pessoas, segundo comunicado publicado pela promotoria.

O ex-líder socialista de centro-esquerda foi detido quando chegava ao aeroporto de Lisboa num voo vindo do exterior e passou a noite sob custódia policial, segundo a emissora de televisão S.I.C. Noticias.

A investigação se concentra em transferências bancárias, afirma a promotoria. Os detidos devem comparecer perante um juiz investigativo, para interrogatório, neste sábado.

O documento não traz detalhes do caso, citando a lei de segredo de justiça, que proíbe a divulgação de detalhes de investigações em andamento.

A prisão do ex-líder, de 57 anos, é o terceiro maior escândalo em Portugal em quatro meses, após o colapso do maior bando listado em bolsa do país, o Banco Espirito Santo, e a prisão do chefe do serviço de imigração, suspeito de corrupção.

Sócrates, engenheiro civil e ex-ministro do Meio Ambiente, venceu as eleições de 2005 e foi reeleito em 2009. Ele se lançou como um liberal modernizador e aprovou o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexto em país, onde a maioria dos cidadãos é católica. O ex-premiê também liderou o desenvolvimento de políticas ecológicas que colocaram Portugal na vanguarda dos esforços europeus para adotar o uso de energias renováveis.

Mas sua popularidade despencou depois de o país precisar de um socorro internacional de 78 bilhões de euros em 2011, em grande parte decorrente dos gastos excessivos e da alta dívida do governo. Ele perdeu as eleições realizadas meses após o socorro financeiro e mudou-se para Paris, onde foi estudar numa universidade e se tornou consultor de negócios internacionais. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.