Ex-premiê promete reempossar juízes afastados no Paquistão

Sharif participa de protesto de advogados e afirma que governo do presidente Musharraf é "inconstitucional"

Agências internacionais,

21 de fevereiro de 2008 | 12h58

O ex-primeiro-ministro do Paquistão Nawaz Sharif uniu-se aos protestos realizados por advogados no país nesta quinta-feira que prometeu que, com a vitória da oposição no pleito parlamentar, os juízes afastados do cargo pelo presidente Pervez Musharraf serão reempossados se o seu partido chegar ao poder. Segundo membros do partido do ex-premiê, ele ainda deve ocupar uma cadeira no Parlamento, que será formado em sua maioria pela oposição. A legenda conquistou o segundo lugar na contagem de votos até o momento, perdendo apenas para o partido da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, e ele pode ocupar um dos lugares disponíveis após a vitória com larga vantagem. Sharif e o viúvo de Benazir, Asif Ali Zardari, atual líder do partido da ex-premiê, buscam negociações por uma aliança para forçar Musharraf a deixar o poder.  Os advogados protestaram em várias cidades para exigir que o ex-presidente do Tribunal Supremo do Paquistão Iftikhar Chaudhry seja reempossado, após Musharraf afastar uma série de opositores de seu governo para garantir a sua reeleição. Sharif apoiou o grupo e afirmou que "chegou a hora de Chaudhry e outros juízes retomarem seus lugares na Corte". Ele ainda afirmou que o mandato de Musharraf é "ilegal e inconstitucional.". Musharraf, um importante aliado do governo americano, se recusa a reinstalar os juízes. Eles foram afastados após o estado de emergência imposto em novembro, que foi retirado apenas após a ratificação de sua reeleição. Mudanças constitucionais o ex-presidente do Tribunal Supremo do Paquistão Iftikhar Chaudhry disse nesta quinta que o novo Parlamento não deveria apoiar as mudanças constitucionais introduzidas pelo presidente do país, Pervez Musharraf, após a imposição do estado de exceção em novembro do ano passado. "Ninguém pode modificar a Constituição por si só", disse Chaudhry, em uma conversa telefônica com o Tribunal Superior da província sudeste de Sindh, divulgada pelo canal privado Geo TV. Chaudhry, que está sob prisão domiciliar desde novembro passado, quando Musharraf aproveitou a suspensão das garantias constitucionais em novembro para ordenar sua detenção e o de outros juízes do Supremo e influentes advogados, afirmou que este grupo "em breve vai colher os frutos de sua luta". Para restaurar Chaudhry em seu cargo, o Parlamento precisa de uma maioria de dois terços, por isso o futuro do ex-presidente do Supremo depende, em grande parte, dos acordos pós-eleitorais. Cinco juízes do máximo tribunal e vários advogados continuam sob prisão domiciliar. Em Karachi, a polícia reprimiu a manifestação que os advogados tinham convocado em frente ao Tribunal Superior da província, lançando gás lacrimogêneo. Pelo menos um advogado ficou ferido nos incidentes, enquanto outros nove foram detidos, segundo o canal privado Dawn.

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