Ex-premier do Paquistão se une a viúvo de Bhutto em coalizão

Líderes concordam em restabelecer juízes dispensados pelo presidente Pervez Musharraf na epóca em que país vivia estado de emergência

KAMRAN HAIDER, REUTERS

09 de março de 2008 | 13h34

O ex-primeiro ministro Nawaz Sharif anunciou neste domingo, 9, que vai se juntar ao partido de Benazir Bhutto (o Partido do Povo do Paquistão, presidido pelo viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari) em uma coalizão no Parlamento. O anúncio aumenta perspectivas de um governo hostil ao presidente Pervez Musharraf. O PPP venceu a maioria das cadeiras nas eleições gerais de 18 de fevereiro, mas não o suficiente para governar sozinho. A Liga Muçulmana do Paquistão (PML, na sigla em inglês), presidida por  Sharif, ficou em segundo lugar nas mesmas eleições. Apesar de ter prometido apoiar o PPP, Sharif não havia confirmado se seu partido iria formar um governo de coalizão com o PPP. "Foi concordado que o PML fará parte do gabinete federal", disse Sharif a jornalistas após conversar Zardari, que assumiu a liderança do PPP após o assassinato da mulher em 27 de dezembro. Analistas haviam afirmando que Sharif deveria ficar fora de um governo liderado pelo PPP, que deverá tomar medidas econômicas impopulares. Em um sinal de desafio para Musharraf, Sharif e Zardari concordaram em restabelecer juízes dispensados por Musharraf na epóca em que foi declarado estado de emergência no Paquistão, em novembro de 2007. Os juízes, incluindo membros da Suprema Corte que foram destituídos de seus cargos, eram vistos como hostis à reeleição de Musharraf para mais cinco anos como presidente enquanto ele era comandante do Exército. Os juízes devem processar Musharraf, caso sejam readmitidos. Aliados ocidentais e vizinhos do Paquistão, preocupados com a instabilidade no país que possui armas nucleares, temem maiores conflitos se novos líderes confrontarem o presidente. Centenas de advogados lançaram uma semana protestos para pressionar pela readmissão dos juízes. Sharif, que era o então comandante do Exército em 1999, derrubado por um golpe de Musharraf, tem pedido para o impopular presidente deixar o cargo. No domingo, ele disse que Musharraf tem que aceitar o veredicto popular. "Este é o veredicto das pessoas contra ele. Ele deveria aceitar os fatos e não criar dificuldades e divisões", disse o ex-premiê. Zardari, questionado sobre sua atitude em relação a Musharraf, foi mais conciliador, dizendo não acreditar em "interesses pessoais" e acreditar na administração do presidente.

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