Ex-presa no Irã agradece mediação do Brasil

Alpinista americana elogia Amorim por diálogo e pede ajuda para libertar colegas

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

A alpinista americana Sarah Shroud agradeceu ao chanceler Celso Amorim pelo envolvimento do Brasil na sua libertação, depois de 14 meses presa no Irã. Os parentes dos outros dois americanos ainda detidos em Teerã também participaram do encontro na Missão Brasileira Junto às Nações Unidas em Nova York.

"Nós queríamos agradecer a ajuda do Brasil", disse Alex Fattal, irmão mais velho de Josh Fattal, que, juntamente com Shane Bauer, é um dos que ainda permanecem detidos. Falando fluentemente em português por ter morado no Pará, Fattal pediu ao Brasil que continue ajudando até seu irmão ser libertado.

Os três foram presos sob acusação de espionagem quando faziam alpinismo na fronteira do Iraque com o Irã. Segundo as autoridades de Teerã, a prisão ocorreu dentro do território iraniano. Os americanos negam e dizem que estavam no Iraque. Eles também rejeitam a acusação de que são espiões.

A libertação de Shroud ocorreu na semana passada, depois do pagamento de uma fiança de US$ 500 mil. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ter sido um gesto humanitário e pediu aos EUA que também soltem oito iranianos presos no país.

Amorim afirmou que o governo brasileiro, até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, intercedeu para pedir ao regime de Teerã a libertação dos três americanos.

Ao mesmo tempo, o chanceler disse ter sido uma decisão "soberana" do Irã e afirmou não ser possível determinar que peso o Brasil teve na decisão. "Não podemos levar todo o crédito", disse depois do encontro. Shroud preferiu não conversar com a imprensa.

Fattal afirmou ao Estado que seu irmão conseguiu falar com a família apenas uma vez, em mais de um ano. Todos os dias, segundo Shroud disse a ele, os três se encontravam por uma hora para conversar e isso ajudou a superar a solidão.

Além do Brasil, outros grupos e governos também se movimentam para obter a libertação. Um deles é o Conselho de Relações Americanas e Islâmicas (Cair, na sigla em inglês), principal organização muçulmana dos Estados Unidos, que entregou uma carta a Ahmadinejad solicitando a libertação dos dois alpinistas americanos presos.

Diálogo atômico. Paralelamente aos contatos humanitários, potências ocidentais voltaram a pressionar o Irã para que volte a negociar seu programa nuclear. Ontem a França alertou que, caso Teerã recuse a oferta, sofrerá "custosas sanções".

O novo alerta foi feito durante reunião da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O bloco ocidental voltou a acusar o governo iraniano de esconder partes de seu programa nuclear em busca de tecnologia atômica para fins militares. O Irã nega a acusação.

Jochen Homann, ministro alemão de Economia e Tecnologia, afirmou que o sexteto (formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, França, Rússia, Grã-Bretanha e China - e a Alemanha) quer retomar imediatamente o diálogo. "Estamos apresentando uma extensa oferta de cooperação. O Irã deve dar respaldo às suas palavras com feitos e regressar à mesa de negociações." A Casa Branca garantiu que "as portas estão abertas" ao diálogo com o Irã. / REUTERS

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